Manifestação em Suzano leva mais de 200 pessoas ao centro

Passeata seguiu pacificamente pela Glicério e atraiu várias categorias da cidade
Passeata seguiu pacificamente pela Glicério e atraiu várias categorias da cidade - FOTO: Daniel Carvalho
Mais de 200 pessoas percorreram o centro de Suzano, em protesto pacífico, contra as reformas trabalhista e previdenciária. Os manifestantes se concentraram na Praça dos Expedicionários, às 10 horas. Com carros de som, faixas e gritando palavras de ordem, a passeata percorreu a rua General Francisco Glicério até a Praça João Pessoa, reunindo vários sindicatos e trabalhadores que apoiam a causa. A greve geral impactou agências bancárias e o transporte público.
O departamento de trânsito e a Polícia Militar estavam presentes durante todo o momento. Mas o tráfego de veículos na região sofreu impactos e seguiu com muita lentidão pelas ruas centrais da cidade. Algumas vias, inclusive, ficaram travadas durante o protesto.
Com carros de som, os sindicalistas pediam que os comércios também aderissem à greve e baixassem as portas. Embora o protesto tenha corrido de maneira pacífica, muitos estabelecimentos fecharam no momento em que a passeata se aproximava, em apoio e, ao mesmo tempo, com medo de represálias, como foi relatado pelos próprios comerciantes. "O protesto é válido, porque o objetivo é nosso também. Mas ficamos com medo de vandalismo. Só que o de hoje até que está bem organizado", avaliou o comerciante Everaldo dos Santos. Em Suzano, o movimento foi tranquilo e sem ocorrências, como ocorreu na capital. Até o meio-dia, o trânsito já estava normalizado.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Suzano e Região, Pedro Benites, se mostrou satisfeito com a adesão. "A participação está acima de nossas expectativas", disse. "É sinal de que o povo não quer essas reformas. Estão tirando os direitos dos trabalhadores e prejudicando a todos".
Para o presidente do Sindicato dos Químicos de Suzano e Região, Edson Alves da Silva, as manifestações podem ter continuidade nos próximos dias. "Vamos nos organizar melhor e os outros dias serão bem mais incisivos. Outras mobilizações vão acontecer e, certamente, conseguiremos impactar o governo. Eles verão que o povo está unido e que a gente vai se mobilizar mais", afirmou Silva. "Estamos retrocedendo à década de 1930, quando o trabalhador não tinha garantias de seus direitos. Quando Getúlio Vargas instituiu a CLT, os direitos começaram a ser assegurados. E agora o governo está arrancando. É um retrocesso nas garantias das leis trabalhistas", avaliou.
O professor Arlindo Viana, que é membro do Sindicato do Professores do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp), frisou o fato de o ato de ontem ter sido histórico no País. "São cem anos da primeira greve geral no Brasil. A paralisação está sendo muito boa. Só com essa mobilização unificada é que conseguiremos barrar esse retrocesso em ataque a toda a classe trabalhadora".

PARALISAçãO PREJUDICA TRABALHADORES

Greve do Geral - CPTM Suzano
Greve do Geral - CPTM Suzano - FOTO: Daniel Carvalho
As manifestações geraram grandes impactos aos trabalhadores do Alto Tietê, que ficaram sem transporte público. Durante o período da manhã, os ônibus municipais e intermunicipais da Radial Transporte não circularam. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também teve as operações interrompidas nas linhas 11 e 12. Apenas as vans do transporte alternativo funcionaram durante todo o dia.

Embora a maioria da população mostre apoio às reivindicações, muitos criticaram o fato de não haver alternativas para chegar ao trabalho. A operadora de telemarketing Vilma Oliveira Gonçalves, de 32 anos, chegou ao ponto de ônibus, no centro de Suzano, às 5h50. Às 11 horas ela ainda aguardava o transporte coletivo para chegar a Mogi das Cruzes, onde trabalha. "Eu entro às 7h30 no serviço. A empresa já avisou que vai descontar o dia se eu faltar, mas não tenho culpa se não conseguir chegar", contou.

A auxiliar de enfermagem Aline Rosa Coutinho da Silva, 26, trabalha em um hospital em São Paulo e não conseguiu chegar, pois se deparou com os portões da Estação Suzano fechados. "Vou perder o dia de trabalho. E os pacientes não podem esperar", disse.

"Eu até apoio as manifestações, mas não deve haver vandalismo nem prejudicar a população", avaliou a aposentada Edna Camassi, 53. "Apesar da greve, achei que estava sossegado em Suzano, porque os caixas eletrônicos dos bancos estão funcionando e está tudo normal por aqui", afirmou.

No final da manhã de ontem foi possível notar a presença de poucos ônibus circulando em Suzano. Até o período da tarde, apenas 34% da frota voltou a rodar, segundo informações da Radial. Já em Ferraz e Poá, o serviço foi normalizado à tarde com 100% da frota em operação.

As linhas intermunicipais da Radial, voltou a circular com apenas 17 ônibus que fazem as linhas entre Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim, Salesópolis, Ferraz de Vasconcelos, Poá e Suzano. (F.F.)

 

ADESãO DE BANCOS é PARCIAL:

Greve dos Bancos - Suzano
Greve dos Bancos - Suzano - FOTO: Daniel Carvalho
Apesar dos avisos de greve nas portas das agências bancárias de Suzano, nem todos aderiram à paralisação. No Santander, por exemplo, uma funcionária disse que o sindicato fixou os informes nos estabelecimentos, mas como nenhum sindicalista estava presente para impedi-los de entrar, eles trabalharam normalmente. Embora os atendimentos tenham ocorrido, a agência estava vazia, já que os avisos de greve afastaram os clientes. Já no Bradesco, apenas os caixas eletrônicos estavam funcionando, mas a população afirmou não sentir grandes impactos. (F.F.)

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