Contadores comemoram nove anos de espetáculo

Mito grego se une às tradições afro-brasileiras
Mito grego se une às tradições afro-brasileiras - FOTO: Jéssica Castro/Divulgação
Os Contadores de Mentiras apresentam hoje um dos clássicos do grupo teatral: o espetáculo "Curra - Temperos sobre Medeia". Baseado numa pesquisa sobre a cultura afro-brasileira, em 2017, a produção celebra nove anos de existência, pesquisa e amadurecimento. É um trabalho em que o grupo une o mito grego de Medeia à pesquisa das tradições afro-brasileiras.

A obra já percorreu inúmeras cidades do Estado de São Paulo e tem um trajeto internacional desde 2015. A produção vai ser encenada às 20 horas na sede da companhia, localizada na avenida Major Pinheiro Fróes, 530, no Parque Maria Helena, em Suzano. Os ingressos são colaborativos, com valor mínimo de R$ 5. A classificação indicativa é 14 anos.

"Curra - Temperos Sobre Medéia" traz uma celebração Orixá sobre o mito clássico de Medéia. Um terreiro, uma arena, um banquete, bebida, comida e pés descalços para celebrar o efêmero fazem parte de um cenário em que o público não é apenas expectador, e sim um convidado para um "outro lugar". Uma cozinha funciona durante todo o tempo provocando relações sensoriais onde a dança, a comida, a música celebram o mito da Medéia.

Jasão é um orixá recebido pelo corpo de um cozinheiro. Medeia tem a força de Iansã e sua inimiga, a beleza de Oxum. Creonte, senhor do terreiro, exige o seu direito à propriedade enquanto crianças "Erês" cegas decidem o futuro da mãe.

Grupo

O Grupo Contadores de Mentira, que agrega também uma instituição com o mesmo nome, nasceu em 1995 em Suzano, no Alto Tietê, onde desde 2013 mantém também uma sede, o Teatro Contadores de Mentira. Desde então, produz projetos, espetáculos, festivais, encontros, feiras, e sobretudo, um diálogo de sobrevivência, crescimento, articulação e atitude entre cidadão e cultura.

Nestes anos, um sentimento de recusa, de fluxo contrário ao pensamento de que apenas os grandes centros são produtores de cultura. O grupo é pioneiro de um movimento, hoje fortalecido na base histórica teatral do Alto Tietê. Foi o primeiro a adotar Suzano como "residência" e o que começou a propor novos espaços forçando a comunidade a "exercitar o olhar" para um teatro voltado aos rituais, à pesquisa de linguagens e à necessidade de organização.

Os Contadores descobriram cedo que é necessário se organizar em coletivos, lutar por políticas públicas, e que dialogar com a comunidade é tão importante quanto a obra teatral. Um projeto de grupo é mais importante que um espetáculo isolado.

A trupe considera o seu trabalho uma celebração porque acredita em um ambiente onde, para além do ato teatral, existe o festejo, a comida, a comunhão e o artesanato do corpo.