Veículos realizam transporte clandestino de passageiros

Carros de passeio oferecem o transporte complementar para diversos bairros
Carros de passeio oferecem o transporte complementar para diversos bairros - FOTO: Daniel Carvalho
Há pouco mais de dois meses, carros de passeio oferecem o transporte complementar para diversos bairros de Itaquaquecetuba. Os veículos ficam concentrados na avenida Ítalo Adami, próximo à estação de trem, no centro da cidade. No entanto, o serviço não é legalizado e vem aumentando a cada dia. Os motoristas clandestinos fazem o mesmo itinerário dos ônibus municipais por R$ 4, valor R$ 0,10 inferior à tarifa do transporte coletivo que opera de forma regular.

Questionada sobre a legalidade e a possibilidade de regularização do transporte complementar em Itaquá, a Prefeitura informou que essa "é uma prática combatida através da fiscalização realizada pela Secretaria Municipal de Transportes", que atua para que os passageiros tenham mais segurança. O Dat também esteve no local e permaneceu por quase uma hora, mas não presenciou nenhum tipo de fiscalização. O serviço clandestino funciona livremente na região central.

Um dos motoristas que fazem o transporte complementar disse à reportagem que essa é uma medida adotada para facilitar a vida da população que aguarda o coletivo por muito tempo. "No meu bairro, por exemplo, quase não tem ônibus. Então, a gente faz esse serviço de transporte, porque aquele trabalhador que vem cansado do trabalho só quer chegar logo em casa. Ninguém quer ficar uma hora no ponto de ônibus", afirmou. Ele destacou que  todos os veículos estão com a documentação em dia, mas confirmou a clandestinidade do serviço.

Apesar da ilegalidade, a população se mostrou favorável ao transporte complementar, já que o serviço regular, operado pela CS Brasil, não oferece a qualidade desejada, segundo relatos dos próprios munícipes. "Eu não tenho nada contra, até porque chegamos cansados do trabalho e queremos chegar logo em casa. Só não utilizo porque o pagamento tem que ser feito em dinheiro e não aceitam o vale transporte", avaliou o açougueiro Elias Santos, 45 anos.

A pensionista Maria José, 45, criticou a demora dos ônibus e aprova a regularização do transporte complementar na cidade. "O importante é ter transporte. Eu já estou há 20 minutos esperando meu ônibus e nada. Eu ainda nem sabia que tinha essa possibilidade", contou.

O pedreiro José Batista da Silva, 48, também defendeu a legalização dos veículos que fazem o transporte clandestinamente. "Seria ótimo se a prefeitura aceitasse a normalização desse meio, porque fica aquela luta desses motoristas clandestinos com os ônibus. Sem contar que os coletivos demoram muito para passar".

Para a diarista Maria Godini, 63, o transporte complementar agiliza a chegada dos passageiros até o destino. "Acho que deveriam regularizar, porque os ônibus demoram muito", disse.

A Prefeitura também informou que está realizando um estudo para a evolução do transporte coletivo como um todo, com previsão para 20 anos. A adiantou ainda que a licitação deve ocorrer em 2018, porém sem dar mais detalhes.

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