Morre oitava criança vítima do fogo

Além das oito crianças, a professora e o causador do incêndio também morreram
Além das oito crianças, a professora e o causador do incêndio também morreram - FOTO: Paula Santos/Estadão Conteúdo
A menina Thallyta Vitória de Oliveira Barros, de 4 anos, morreu na manhã de ontem no Hospital João Vinte Três, em Belo Horizonte, elevando para dez o número de mortos no ataque à creche Gente Inocente, em Janaúba, Minas Gerais. Além de oito crianças, morreram uma professora e o autor do incêndio, um vigia de 50 anos. Treze vítimas estão internadas em estado grave.

Em Janaúba, a população continua a velar e a enterrar os mortos da maior tragédia do município. Na quita-feira, passava das 23h30 quando um homem, encostado no muro da casa onde morava Cecília Gonçalves Dias, também de 4 anos, consultava o relógio de pulso para conferir o horário.

Em uma rua de terra batida, precariamente iluminada por um único poste de luz, dezenas de moradores da cidade, que tem cerca de 70 mil habitantes, se reuniam para se despedir de Cecília. Do lado de fora da casa havia cerca de 20 pessoas. Dentro, outras 30 estavam sentadas em cadeiras de plástico.

Com exceção da professora Heley de Abreu, 43, que morreu após lutar contra o agressor e salvar crianças, todos os velórios foram realizados na casa das famílias, em meio a símbolos religiosos e fotografias dos mortos. Mesmo feitos de madrugada, concentraram dezenas de pessoas. Não raro, moradores iam pulando de uma cerimônia para outra.

Na manhã de quinta-feira, o vigilante Damião Soares dos Santos, 50, entrou na creche na hora em que a diretora, professores e alunos faziam os preparativos para a festa de dia das crianças. Em seguida, ele espalhou combustível e acendeu um palito de fósforo.

Cecília foi uma das três crianças socorridas com vida da creche que morreram depois no hospital. Ainda na quinta-feira, ela chegou a ter o óbito divulgado pelo Corpo de Bombeiros de Minas, após sofrer uma parada cardiorrespiratória, mas a equipe médica conseguiu reanimá-la.

Ferimentos

Ao contrário de outras vítimas, o corpo de Cecília não precisou ser velado com o caixão fechado. Os principais ferimentos que sofreu foram na região das costas, provocados pela queda do forro de PVC, que derreteu com as chamas. "A maior alegria da minha vida foi a chegada dessa menina", dizia Gonçalves, sobre a filha única.

"Escolhemos velá-la em casa porque é o lugar dela, onde sempre se divertia, brincava", afirmou o pai. Em pequenas bacias de plástico, os presentes circulavam pão de queijo e biscoitos de polvilho. Também havia café, chá e água. Os alimentos foram doados pela prefeitura e por órgãos de segurança.

Mesmo com a chegada do caixão, às 0h27, posto em frente a um painel com cinco fotos da criança, Gonçalves mostrou uma serenidade que se estendeu até o sepultamento, na manhã seguinte Sob medicamento, a mãe passou mal e chegou a se atirar no chão do cemitério.

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