Estudante mata 2 e fere 4 alunos em escola particular de Goiânia

Crime na escola particular chocou a comunidade
Crime na escola particular chocou a comunidade - FOTO: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Dois estudantes foram mortos e outros quatro ficaram feridos em um atentado a tiros na escola particular Colégio Goyases, unidade particular localizada na rua Planalto, no Conjunto Riviera, em Goiânia (GO), no final da manhã de ontem. O tenente-coronel Marcelo Granja, assessor de comunicação da Polícia Militar de Goiás (PM-GO), confirmou que o autor dos disparos, um adolescente de 14 anos, é filho de um policial militar. A arma usada, segundo Granja, é da Polícia Militar.

O tenente-coronel disse que ele levou a arma para o colégio dentro de uma mochila e realizou os disparos na sala de aula. Informações iniciais apontam que jovem estaria sofrendo bullying na escola por não usar desodorante.

As duas vítimas fatais foram identificadas como João Vitor Gomes e João Pedro Calembo. Ambos morreram dentro da sala de aula.

"Informações preliminares dão conta que ele estaria sofrendo bullying, se revoltou contra isso, pegou a arma em casa e efetuou os disparos", confirmou o coronel da Polícia Militar Anésio Barbosa da Cruz.

O estudante já foi apreendido e encaminhado à Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depais). Os adolescentes feridos, três meninas e um menino, foram levados ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e Hospital dos Acidentados de Goiânia. 

De acordo com uma funcionária da instituição, que não quis se identificar, todas as vítimas tinham 13 anos e eram do 8º ano.

Um helicóptero do Grupo de Radiopatrulha Aérea (Graer) e viaturas da Polícia Militar (PM) também foram acionados.

Os nomes dos jovens envolvidos não foram divulgados para que as famílias sejam preservadas. A arma usada no ataque foi uma pistola que pertencia à mãe do adolescente, que é policial militar. Ele disse que achou a pistola escondida em um móvel da casa. Nem a mãe nem o pai, que também é policial militar, ensinaram o adolescente a atirar.

Ao retirar a arma da mochila para começar o ataque, ele chegou a efetuar um disparo acidental, mas não se feriu.

De acordo com o diretor técnico do Hospital de Urgências de Goiânia, Ricardo Furtado Mendonça, uma menina de 13 anos está em estado grave na UTI do hospital. Ela foi atingida na mão, pescoço e no tórax. A menina passou por procedimento cirúrgico para drenagem de tórax.

A segunda vítima, também uma adolescente de 13 anos, está consciente e respirando sem aparelhos. Ela teve um pulmão perfurando e passou por cirurgia. A terceira vítima é um menino de 13 anos que está consciente, estável e continua em avaliação. A quarta vítima está no Hospital Acidentados e não teve o estado divulgado.

ATIRADOR SE INSPIROU EM OUTROS CASOS

O adolescente de 14 anos, autor dos disparos que mataram dois colegas e feriram outros quatro no Colégio Goyases, em Goiânia, premeditou o crime e se inspirou nos massacres de Columbine, nos Estados Unidos, e Realengo, no Rio de Janeiro. "Ele me disse que se inspirou em duas tragédias: Columbine e Realengo. E pensava em se vingar há aproximadamente dois meses", informou o delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depais), unidade para onde o garoto foi levado.

O massacre de Columbine aconteceu em 20 de abril de 1999 na Columbine High School, em Columbine, no Estado do Colorado, e deixou 12 alunos e um professor mortos. Os autores do crime, dois estudantes cometeram suicídio. Já o caso de Realengo, na zona oeste do Rio, ocorreu em 7 de abril de 2011 e resultou na morte de 12 alunos na Escola Municipal Tasso da Silveira. O atirador também se matou.

O primeiro atingido em Goiânia foi o desafeto do garoto, mas o delegado não informou qual das vítimas era. Segundo o relato do garoto à polícia, depois de acertar o primeiro aluno, ele sentiu vontade de matar mais.

Segundo o delegado, o autor dos disparos não pediu desculpas, mas se mostrou arrependido. (A.E.)

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