Escolas da região contam com ações de combate ao bullying

Tiroteio em escola particular reacendeu discussão sobre a importância de fiscalizar o bullying nas instituições
Tiroteio em escola particular reacendeu discussão sobre a importância de fiscalizar o bullying nas instituições - FOTO: Divulgação
A tragédia registrada em Góias na sexta-feira, quando um jovem de 14 anos disparou tiros contra colegas de classe, matando dois e deixando quatro feridos, reacendeu o debate contra o bullying nas escolas. Informações dão conta que o estudante que atirou contra os colegas sofria com o problema. Na região, as escolas mantém programas e ações para debater o assunto com os estudantes.

Sancionada em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff (PR), uma lei Federal prevê a implantação de ações para combater o bullying nas escolas.

O Instituto Educacional Luterano de Ferraz de Vasconcelos promove desde 2016 uma série de ações para combater o bullying na instituição, como dinâmicas e atividades de conscientização. O trabalho é desenvolvido na disciplina de Educação Religiosa. "Desde janeiro do ano passado desenvolvemos um projeto chamado Bullying Zero. Ele é ministrado para os alunos de 6º, 7º e 8º ano. Damos mais ênfase para aos alunos do 6º e 7º ano, pois estão chegando ao Ensino Fundamental II. Fazemos dinâmicas em grupo, conversas e colamos cartazes informativos", detalhou o professor de Educação Religiosa e História, André Dias.

Desde que o projeto foi instituído na escola, a unidade já notou a redução dos casos. "Fizemos uma apostila tanto para os alunos quanto para os pais. Com ela, os responsáveis conseguem identificar se algo está errado com os filhos. Os estudantes me procuram quando existe algum problema, e conversamos. Fizemos uma análise e houve uma redução no número de conflitos. Eles já entenderam nosso trabalho e que não toleramos bullying", destacou Dias.

A diretora da escola, Janette Ludwig, afirmou que a escola também trabalha com a tolerância religiosa. "Trabalhamos sobre o respeito ao próximo. Cada um tem sua fé", disse.

Mogi das Cruzes conta com uma lei municipal que institui a Semana de Conscientização e Prevenção do Bullying, realizada anualmente em abril. A legislação foi apresentada pelo vereador Marcos Furlan (DEM) e aprovada no ano passado.

A Secretaria de Educação de Mogi também realiza iniciativas para combater os conflitos. "Por meio do Departamento de Orientação e Promoção do Escolar, oferecemos palestras nas escolas com o objetivo de trazer a reflexão à comunidade escolar, com orientações de profissionais do departamento, a fim de promover a conscientização sobre a importância do tema abordado. As unidades escolares trabalham, junto aos alunos, valores como respeito, amor ao próximo, cuidado aos amigos".

 

ESTADO DESENVOLVE PROJETOS PARA A QUESTãO

Em resposta à reportagem sobre ações desenvolvidas na questão bullying nas escolas, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo afirma que trabalha no combate, permanentemente. A rede conta com a figura do professor-mediador, profissional especialista na solução de conflitos e no trabalho de ações socioeducativas. O Estado está ampliando o programa de Mediação Escolar, que reduziu desde 2014 em 70% o número de ocorrências desta natureza na rede estadual, para todas as suas 5 mil escolas. Isso significa que todas as 5 mil escolas terão agora, ao menos, um educador nesse papel. E, em 1.795 destas unidades haverá um segundo com o mesmo objetivo e para que trabalhem em conjunto.

Outro exemplo é o Sistema de Proteção Escolar, criado em 2009 pela Secretaria da Educação e que visa a prevenção de conflitos no ambiente escolar. O programa dispõe de manuais de conduta, distribuídos para todas as escolas da rede estadual, com orientações de como os gestores escolares devem lidar com as manifestações de bullying e outros tipos de agressões.

A Pasta dispõe ainda do Registro de Ocorrências Escolares (ROE). É uma ferramenta online na qual os Diretores de Escola registram as ocorrências de cunho disciplinar e/ou delituoso, no âmbito da comunidade escolar. O principal objetivo do ROE é registrar e mapear situações de insegurança e de grave indisciplina que afetam as escolas da rede pública estadual.

Além disso, há o Programa Prevenção Também se Ensina, presente na rede há mais de 20 anos. Todas as escolas recebem materiais para que os professores recebam capacitação e se tornem multiplicadores dentro de sala.

No fim do ano passado, a Educação e OAB-SP lançaram uma cartilha de prevenção ao cyberbullying nas escolas. O material reúne questões legais e éticas que devem ajudar o atendimento dentro e fora de sala de aula. A Educação de São Paulo também é uma das parceiras da campanha "Chega de Bullying, não fique calado", do Cartoon Network. A proposta é que os 3,7 milhões da rede estadual assumam o compromisso de prevenir e combater ofensas e agressões no ambiente escolar por meio da campanha disponível no portal http://www.chegadebullying.com.br/.

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