Chama a polícia!

Horrorizado, como acredito estar toda a população, assisti imagens de verdadeira guerra campal na cidade de Araçatuba. Facínoras armados até os dentes e cumprindo cronograma previamente traçado, acuaram as forças de segurança, e agiram ao bel prazer em assalto a empresa de segurança.

Como remate das bárbaras cenas, a impotência de policiais amedrontados, que relatavam a situação pela qual passavam, reclusos em unidade militar, sem possibilidades de ganharem a rua em função do fogo cerrado a que eram submetidos, bem como, tendo que se valer de telefones móveis, eis que a demais comunicação tinha sido cortada.

Em cena de filmes, dando mostras da organização do grupo de celerados, rodovia foi bloqueada, dificultando o acesso de reforços, aqueles que poderiam colocar em risco a "operação". Mais não precisei ver - e com certeza também não precisaram os que se inteiraram do drama -, para ter certeza de que o caos na segurança que de há muito paira sobre a sociedade paulista, chegou a patamares nunca cogitados.

Afinal, quem imaginaria que a milícia estadual, bastião em que depositamos as esperanças de segurança, fosse tão canhestramente subjugada? Afinal, quem poderia, mesmo nos piores pesadelos, supor município pujante e de grande população, ajoelhado ante meliantes os mais rudes?

E, desta vez, apesar da gravidade da situação, empenhado em divulgar sua imagem aqui e acolá; preocupado em granjear adeptos para a eleição presidencial; o Chefe do Executivo - como faz quando lhe interessa -, desta vez não veio a público com suas costumeiras explicações.

Talvez, aconselhado pelos aspones de sempre, o seu silêncio tenha sido proposital! Ciente que o esfacelamento dos órgãos de segurança se deve à sua inabilidade política; vendo minguar a bateria de desculpas prontas, frases de efeito proclamadas com o fim de engodar; sentiu-se temeroso do embate, do confronto, com a população que o cobraria.

Pobre Estado, que precisa de polícia para proteger a polícia!