Fanatismo

Certa vez, em um evento político, simpatizantes do candidato que estava no palco em campanha agitavam suas bandeiras com as siglas do partido e bradavam adjetivos elogiosos ao homem, acusado de participação em uma série de episódios de corrupção, formação de cartel e quadrilha.

Absortos em sua ignorância, os "fãs" do político pareciam tão hipnotizados com a imagem de seu ídolo no "púlpito", que mal compreendiam todo aquele espetáculo de "pão e circo", bem como os meandros que permeiam o meio da política e que levam homens, inicialmente idealistas, a se tornarem jogadores ardilosos e sedentos por manter seu poder no cargo, para a continuidade de seus jogos escusos.

Daí decorre o perigo do fanatismo e isso não só na política, mas também no futebol e na religião. Afinal, a quem interessa manter os eleitores e as pessoas, no geral, cada vez mais alienados? Na seara política, o fanatismo esbarra em uma contradição praticada, muitas vezes, pelos líderes idolatrados, pois estes geralmente estão longe de ser fiéis partidários ou mesmo de manterem a mesma ideologia. Aliás, o idealismo parece estar fora de moda, especialmente entre os correligionários. Costuram-se tantos acordos e persegue-se tanto o poder, que mudar de partido é como alterar a posição de uma peça-chave no tabuleiro de xadrez. O que importa nos dias de hoje é justamente a estratégia. O que não se aplica, em igual proporção, às questões religiosas e futebolísticas, sempre mais dogmáticas.

De qualquer modo, um povo sem cultura, educação e discernimento está fadado a repetir os erros do passado e achar que tudo são meros factóides. Com isto, avançam a corrupção, as desigualdades sociais e, por conseguinte, o abismo entre a estabilidade e a crise político-econômica da qual não conseguimos sair.

É preciso tirar a venda dos olhos e ampliar os horizontes, a fim de enxergar que pode haver luz no fim do túnel. Mas para isso é necessário primeiro que o brasileiro tenha a mesma "flexibilidade" que seus ídolos. E o fanatismo nisso em nada se encaixa.