Viva a concorrência!

Até a década de 1990, as estratégias utilizadas pelas grandes empresas para captar consumidores costumavam ser globais. O produto e a forma de atendimento oferecidos eram criados pelo departamento de marketing e o público era obrigado a se encaixar naquilo que o pacote oferecia. Hoje, porém, a balança está mais equilibrada, e as companhias já perceberam que para se diferenciar diante da grande concorrência em todos os setores, é preciso se adaptar ao seu público-alvo - salvo exceções de empresas que monopolizam setores, como empresas de telefonia, TV a cabo etc.

Segue alguns poucos exemplos, de vários que podemos constatar no mercado: nos postos de combustível dos Estados Unidos e Europa, é prática comum que o próprio motorista abasteça seu veículo. Não existe frentista. Quando a rede Walmart veio se instalar no Brasil, em 1995, trouxe sua estrutura de trabalho pronta, assim, o condutor que parava no posto era obrigado a descer do carro para abastecer. A ideia foi altamente rejeitada e não demorou para a empresa contratar frentistas e abolir o método no Brasil.

Falando em carros, a indústria automotiva também tem que se desdobrar para vender em terras tupiniquins. O Evoque, da Land Rover, teve que trocar seus pneus aros 17 polegadas para aros 18. Sabendo das más condições das ruas e estradas brasileiras, os ingleses trataram de usar isso a seu favor e adaptaram seu produto para atrair a clientela.

No ramo de alimentos, o Burger King, antes de vir ao Brasil, realizou um longo estudo para entender melhor o paladar das pessoas e, sabendo da paixão nacional pelo churrasco, deu preferência à grelha ao invés da chapa para fazer os lanches. Nem é preciso questionar se a estratégia foi acertada. Ainda no ramo de alimentos, a Hersheys, quando veio para cá em 1998, sofreu quatro anos com baixas vendas, até perceber que o brasileiro gosta de chocolate mais doce do que os vendidos em outros mercados estrangeiros. Adocicou o produto, caiu no gosto do brasileiro e decolou nas vendas.

Cada vez mais, quem manda nessa relação empresa/consumidor é o cliente. E viva a concorrência!