'Ativistas'

As redes sociais são palco para grandes embates sobre os mais diferentes temas. Há sempre grupos a favor ou contra alguma questão, mesmo que não haja embasamento suficiente para discutir o assunto. Seja para comentar a atuação do ator da novela das 21 horas, os caminhos do reality show do momento, os desvarios da classe política do país, diferenças religiosas, partidárias ou culturais. Tudo ganha novas dimensões nas redes sociais, muitas vezes, em tons que ultrapassam o bom senso, o respeito e a tolerância às diferenças.

Também há o que mobilize a todos, superando por alguns momentos este jogo de bem contra o mal, como as mudanças nos tons do perfil de acordo com a campanha social do momento, como agora ocorre com o Outubro Rosa pela prevenção ao câncer de mama. Ou ainda, esta semana, ao chamar a atenção para o ataque terrorista na Somalia, ocorrido no último sábado, que mesmo tendo deixado mais de 300 mortos, não teve o mesmo destaque dado ao atirador de Las Vegas, nos Estados Unidos, por exemplo.

A hashtag #PrayingForSomalia tem cumprido seu papel e atraído a atenção para este povo que tem sua história construída em meio à guerra, ao terrorismo e à extrema pobreza, sem esquecer da pirataria, que já foi destaque inclusive nos cinemas. Questões que merecem espaço, precisam ser debatidas mas que, infelizmente, não se traduzem somente nas centenas de mortos do recente atentado. São anos e anos de vidas ceifadas sem grandes alardes em todo o mundo. Um quadro que para ser mudado precisa ir além da manifestação solidária das redes sociais.

Infelizmente, nada muito diferente ocorre no restante do mundo, em nosso país ou mesmo em nossa região. As redes sociais se enchem de denúncias, levantam questões, causam estardalhaço, mas, efetivamente, raras são as mudanças. São muitos os 'ativistas de sofá' e poucos os que realmente se dedicam a fazer algo que possa mudar a situação que lhes incomoda, que causa transtorno a sua comunidade. É fundamental cobrar o poder público e os órgãos envolvidos de acordo com a questão em debate, mas, também é imprescindível arregaçar as mangas.