Convivendo com a diversidade

As diferenças são enriquecedoras aos seres humanos, e é por meio delas que ampliamos os nossos olhares para reconhecer que, apesar de sermos iguais perante a lei, somos diferentes com relação à nossa personalidade, fisionomia, aparência, limitações e necessidades, e, também, às nossas habilidades. Essa variedade nos permite respeitar uns aos outros, entendendo que, independentemente dos perfis, sejam eles estipulados ou não pela sociedade, possui as suas fragilidades, tanto do ponto vista físico quanto intelectual, e que, ao descobri-las, tem o direito de entendê-las, trabalhá-las
e melhorá-las. Cabe a nós promover estas mudanças e aos que estão dispostos a nos ajudar.

Transferindo esse cenário ao espaço educativo, neste ano, o Especial Educação, do Grupo Mogi News de Comunicação, aborda a Educação Inclusiva, abrindo o debate sobre a inserção de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular. Até então, crianças e adolescentes que possuíam déficit de aprendizagem ou limitações físicas - considerados "diferentes", segundo os padrões tradicionais -
eram orientados em espaços individualizados. Este sistema levava à exclusão desses educandos, que carecem de um atendimento personalizado, sem serem, por sua vez, privados da sua integração à sociedade. Com as novas diretrizes educacionais, esses estudantes começaram a receber um novo olhar e a serem inseridos nas escolas comuns, que assumiram a missão de preparar os seus espaços físicos e orientar os profissionais para receber este público.

O desafio foi grande, e ainda é, uma vez que são alunos que carecem de uma atenção voltada não apenas ao aspecto cognitivo, mas, também, ao social, pessoal e intelectual. Cada escola vem promovendo as mudanças para que possa oferecer um ensino dinâmico, adotar uma organização própria e ser capaz de auxiliar todos os alunos que nela estão inseridos. Pode-se dizer que a educação inclusiva se propôs a quebrar preconceitos e estereótipos para mostrar que todos têm o direito de aprender, com respeito às dificuldades e limitações dos aprendizes. O educar deve ser democrático, sendo estendido a todos, em especial, à criança com deficiência física, ao superdotado, ao que apresenta dificuldades no aprendizado, enfim, àqueles que correm o risco de ser discriminados por qualquer motivo.

Segundo o Ministério da Educação, as políticas educacionais devem estar voltadas para a eliminação de todas as formas de discriminação, de modo que os alunos possam participar plenamente das ações pedagógicas e sociais da escola, centradas nas diferentes formas de aprender e conviver. A educação inclusiva propõe que os sistemas passem a ser responsáveis por criar condições de promover um ensino de qualidade para todos e fazer adequações que atendam às necessidades educacionais especiais dos alunos com deficiência. Algo que vem sendo realizado pelas redes municipais, estadual e particulares do Alto Tietê.

As unidades escolares adaptaram suas estruturas e os educadores começaram a se especializar para melhor atender esse público. Os sistemas contam com espaços personalizados, e, por meio de uma integração entre as equipes das pastas da Educação e da Saúde, elaboram estratégias diversificadas para propiciar o atendimento personalizado. Esta edição traz um panorama desse trabalho e aponta o comprometimento dos educadores que se dedicam ao ensino desses alunos. São profissionais que não dispensam o amor que nutrem pela área em que atuam por acreditar que, apesar de o desafio ser grande e os resultados serem conquistados a longo prazo, a experiência é enriquecedora e o sentimento de realização, indescrítivel. Foi o que revelaram os professores entrevistados, tanto os que estão no ensino regular quanto os que atuam exclusivamente com a educação especial.

A publicação destaca o trabalho realizado pelos núcleos de atendimento especializado, as salas de recursos, os professores regulares e os especialistas, que se dividem entre as funções de educadores, cuidadores, auxiliares, intérpretes de Libras, dentre outras habilidades. Aponta também a importância da parceria com os sistemas de saúde para orientar nos exames necessários para identificar as deficiências, preparar o laudo e viabilizar um ensino adaptado à realidade de cada aluno. Trata-se de um ciclo de ações para garantir um ensino baseado na atenção, cooperação, solidariedade, a fim de acolher esses educandos com afeto, respeito e responsabilidade. Qual a principal missão? Garantir aos alunos que apresentam necessidades especiais a sua inclusão com a participação ativa nas atividades pedagógicas, tendo suas limitações respeitadas, além de possibilitar que todos possam ser inseridos na sociedade no âmbito geral, para, então, exercerem a sua cidadania plena. O cumprimento desta responsabilidade mostrará que a escola faz a diferença na vida desses aprendizes.

Suéller Costa

Editora

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