Dança das cadeiras

Desde que assumiu o Ministério da Educação, Ricardo Vélez tem mostrado que é novo não só no quesito político, como também gerencial e, principalmente, com relação à cultura educacional. Colombiano, percebe-se que não conhece a realidade da educação brasileira. Não é à toa que em três meses como ministro, o seu nome vem elencado a uma série de comentários polêmicos, desde a declaração de que "os brasileiros são canibais e agem como ladrões quando viajam" até a afirmação de que a "universidade não é para todos". O seu governo é representado por um entra e sai, como a dança das cadeiras, em que sempre alguém fica de fora.

Sabe-se que assumir um cargo no setor educacional exige estudos, conhecimentos e experiências. Os educadores entram nesta área por concursos públicos, e, aos poucos, se lançam a novos postos, respeitando as suas exigências. Para assumir um cargo de coordenador é necessário ter atuado diretamente em sala de aula. E, para se tornar uma diretora, as seleções solicitam, no mínimo, cinco anos de experiência em toda a dinâmica escolar. Para os cargos mais altos, como uma secretária de Educação ou diretora regional de ensino, os postos são preenchidos com indicações, no entanto, exige-se que o escolhido tenha uma vasta experiência na área.

No geral, secretários e dirigentes já passaram por todos os cargos anteriores, para, então, se sentirem qualificados o suficiente para gerenciar uma rede de ensino, respeitando as fragilidades e dificuldades; e, principalmente, o corpo docente e discente, e toda a equipe envolvida. As crises não deixam de existir, como em qualquer setor, mas a sintonia, o conhecimento, a sabedoria, o respeito às diferentes ideias e o compromisso com o diálogo ajudam a conter os dilemas e, na medida do possível, construir uma gestão que atenda às necessidades de todos os envolvidos.

Quanto ao atual ministro da Educação, por quais cargos ele passou? Em quais cidades desenvolveu o seu trabalho? Como constrói a sua visão sobre o cenário ao qual está incumbido a administrar? A sua postura fala por si.