Quartelada

Tosco ao início; representando, à época, com seus trejeitos e frases impensadas, o militar recém-saído da caserna; o vice-presidente da República tem se mostrado de inteligência arguta, e, com isso, aprendido rapidamente os caminhos da política.

Em governo que tem se pautado por alimentar a cizânia, aqui e alhures, suas atitudes conciliadoras servem de contraponto, e lhe conferem projeção, mesmo entre as velhas raposas.

Quem assistiu ao vídeo feito em comemoração ao aniversário do Colégio Militar de Porto Alegre, com certeza surpreendeu-se com sua simplicidade e extroversão. Teve a sensibilidade, como se esperaria, de separar o velho soldado do cargo de relevo que ocupa.

Conhecedor do contexto social atual, e sabendo da fratura que levou à infeliz ruptura entre irmãos, com comedimento, ao ser indagado sobre as comemorações do golpe de 64, limitou-se a proclamar que, se houver, serão simples, limitadas ao intramuros.

Já, o Capitão que nos preside, repete-se, dando razão à sanha que o identifica (no Paraguai já havia saudado notório caudilho estuprador, e no Chile rendido homenagens a sanguinário e fraticida general), se achou na obrigação de atirar lenha à fogueira, negando-se a reconhecer a quartelada que nos infelicitou, e a todo pulmão, discursar em favor de festas de júbilo por ela.

Obviamente que não se deu conta, ainda, que é o líder máximo de uma Nação, e, com isso, não deve firmar posição pessoal. Governa à todos, partidários e opositores, não podendo se render a rompantes burlescos, que têm por objeto, manter-se em campanha, quando não, suprir o vazio de projetos para a Pátria combalida.

Ademais, o seu discurso é verdadeiro tapa na cara de todos aqueles que, infelicitados pelos desmandos nascidos no distante 1º de abril, ainda sentem falta dos que se foram, às escondidas, lambem suas feridas.

Por que, em homenagem à Força que endeusa, não se recolhe à posição de subalterno e delega funções de gerência, ao seu superior hierárquico? O povo agradeceria.

Deixe uma resposta

Comentários