De piratas aos jesuítas, Suzano celebra 70 anos de emancipação

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Azevedo: "Em 1850 já havia comércio" - FOTO: Felipe Claro
O nascimento de Suzano, que hoje abriga cerca de 300 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), envolveu descendentes de piratas e indígenas que, juntos, construíram uma comunidade em meio a disputas e colonizadores. Mesmo ainda em meados de 1700, quando Suzano ainda não tinha esse nome e pertencia a Mogi das Cruzes, surgiu uma pequena capela, construída por um jesuíta em homenagem à Nossa Senhora da Piedade, que mais tarde ficou conhecida como a Igreja do Baruel. Esse é considerado o marco do nascimento de Suzano.

Naquela época, a necessidade de um líder para a comunidade fez com que o povo elegesse o cacique Índio Tibiriçá como o representante. Antes disso, em 1600, uma mina de ouro foi descoberta na altura do Rio Taiaçupeba e assim teve início a mineração no local. Mais tarde, quando Tibiriçá, que estava no comando do grupo da região, hoje, atualmente no distrito de Palmeiras, um pirata descendente da família Barwell chegou ao local e se casou com uma das filhas do cacique. Assim, com um nome "aportuguesado", passou a ser Baruel. "Com esse casamento a família acabou se tornando muito rica e a região do Baruel já fazia parte de percursos para ir a Mogi, por exemplo. Esse pirata foi destaque para a comunidade que acabou adotando o nome dele para o local. Ele era de uma família fora do comum na época. Dormia em cama enquanto todos dormiam em redes", explicou o professor Suami Paula de Azevedo, morador de Suzano desde 1977, sendo secretário Municipal de Cultura entre 2013-2016.

No final de 1890 a capela foi derrubada, no entanto, um italiano prometeu a sua noiva erguer novamente uma igreja. "Um imigrante italiano prometeu que construiria uma capela, que é a que existe hoje. Antes disso, em meados de 1850, aquela região já tinha comércios e logo surgiu a possibilidade da passagem da linha férrea por lá", lembrou Azevedo.

A construção da ferrovia acabou não passando pelo Baruel, mas sim no local que abriga hoje a atual estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na rua Doutor Prudente de Moraes, e envolveu personalidades que hoje nomeiam ruas e avenidas, como a avenida Antonio Marques Figueira, por exemplo. Ele trabalhou na construção da linha férrea e conseguiu fazer com que o engenheiro da obra, Joaquim Augusto Suzano Brandão, construísse uma estação.

Em 1940, Suzano já tinha um desenvolvimento que dava potencial e iniciou então uma briga para que, o ainda distrito de Mogi, passasse a ser um município. Foi então, que, em 24 de dezembro de 1948 Suzano foi decretada município e em 2 de abril de 1949, o primeiro prefeito, Abdo Rachid e os vereadores tomaram posse. E assim, hoje a cidade celebra seus 70 anos de emancipação político-administrativa.

HISTóRIA NA PALMA DA MãO

Aniversário de 70 anos de Suzano - Arionaldo Pereira Nunes - Secretário de Relações Públicas
Aniversário de 70 anos de Suzano - Arionaldo Pereira Nunes - Secretário de Relações Públicas - FOTO: Felipe Claro
A paixão por Suzano fez com que o chefe do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ex-secretário de Relações Públicas do município, Ariovaldo Pereira Nunes, se tornasse um colecionar da história da cidade, principalmente em suas próprias memórias e em fotografias. Desde imagens do início da rua General Francisco Glicério, até a construção da Igreja Matriz, na praça João Pessoa, no centro, o acervo é levado para exposições e palestras. "Tenho muita honra por ter visto a cidade que me instalei crescendo, sempre fui muito bairrista e tenho muita foto guardada. Quando percebi já estava com a história de Suzano em minhas mãos", contou.

Para a construção do acervo, Nunes contou com o apoio de famílias antigas e chegou até mesmo a ter um espaço para fazer cópias das fotos. "Cheguei a montar um laboratório para tirar as fotos porque tenho muito amor pela cidade, então eu pegava as fotos das pessoas e tinha que devolver, aí comecei a fazer isso", contou.

Nunes chegou em Suzano aos dois anos de idade com a família vinda de Ribeirão Pires e, ao longo dos anos, pôde acompanhar fatos que o marcaram como, por exemplo, a construção da Igreja Matriz e quando o atual deputado estadual Estevam Galvão (DEM) se tornou chefe do Executivo susanense pela primeira vez. "Um prefeito que eu admirava muito também foi Pedro Miyahira, ele planejou toda área industrial, trouxe diversas indústrias para Suzano, ele fez o Plano Diretor da cidade. Agora, o que me marcou foi 1976, quando Estevam começou com todo o gás para fazer a cidade crescer. Fez as galerias pluviais das ruas que ninguém vê, ele é uma pessoa importantíssima para Suzano", lembrou.

O acervo de Nunes é compartilhado nas redes sociais. Para quem tem curiosidade de conhecer e saber como era Suzano em época passadas basta acessar a página Suzano Antigo no Facebook. (L.P.)

SUZANO EM NúMEROS (QUADRO)

Território: 206,2 quilômetros quadrados
População: 290,7 mil habitantes de acordo com IBGE
Produto Interno Bruto (PIB) 2014: R$ 10,13 bilhões
PIB per capita: R$ 35,8 mil
Estabelecimentos comerciais: 3,7 mil
Prestadores de serviços: 4 mil
Indústrias: 687
Produtores Rurais: 417

Fonte: Prefeitura de Suzano

LIVRO CONTA COMO O MUNICíPIO EVOLUIU

Em 2009, o livro "Memórias de Suzano", de autoria dos jornalistas Simone Leone, Carla Fiamini, Gisleine Zarbietti e Douglas Pires, foi publicado em homenagem aos 60 anos de emancipação que o município comemorava na ocasião. A obra foi publicada pelo Grupo Mogi News e retrata toda a história da cidade, desde os primeiros povoados até a fundação da Vila Concórdia.

Hoje, o município celebra 70 anos com um legado de muitas histórias. A publicação tem cinco capítulos e contam com entrevistas de mais de 60 famílias que participaram da construção do antigo distrito de Mogi das Cruzes, além de um acervo de mais de 600 fotografias que mostram os diversos momentos que a cidade passou, desde obras importantes, modernizações, industrialização e a criação de uma estrada de
ferro. (L.P.)

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