Ordem de despejo

Cerca de 300 famílias terão de deixar as casas em Jundiapeba

Ação civil-pública da prefeitura pede a retirada das pessoas que vivem próximas ao rio Jundiaí até o fim do mês

Thamires Marcelino*
15/07/2019 às 23:37
Atualizada em 15/07/2019 às 23:37.
Mariana Acioli

Reunião CTEEP - Rodrigo Valverde Vereador - FOTO: Mariana Acioli

Cerca de 300 famílias que moram próximas ao rio Jundiaí, em Jundiapeba, enfrentam situação de ordem de despejo. De acordo com o vereador Rodrigo Valverde (PT), na quinta-feira passada as famílias receberam uma notificação sobre uma ação civil-pública que prevê retirá-los das residências. "Até o momento, não foi marcada nenhuma audiência pública para a entrega de alguma liminar. O que sabemos é que os moradores têm 15 dias para deixar suas casas", explicou Valverde.
O vereador afirmou também que os motivos da ação foram justificados por se tratar de uma área de risco de enchentes e também por ser uma localização de preservação ambiental. A situação desses moradores que vivem às margem do rio Jundiaí é semelhante à enfrentada pelos mogianos do bairro Jardim Piatã I. No sábado passado, durante reunião entre o vereador Valverde, moradores do Jardim Piatã e o advogado Carlos Alberto Zambotto, foi formada uma comissão para solucionar a questão. De acordo com Valverde, os próximos passos dependem das decisões do Poder Judiciário. "Nós já estamos em contato com a chefia de gabinete para marcarmos uma reunião com o Poder Público, a fim de debater possíveis soluções aos moradores", explicou Valverde.
Ainda de acordo com o vereador, eles deverão discutir quais famílias precisam sair urgentemente do local e quais ainda podem permanecer temporariamente. A possível solução é a inclusão dessas pessoas em programas habitacionais ou o pagamento de aluguel social às famílias. 
Outro ponto a ser analisado na reunião com a prefeitura é em relação às justificativas apresentadas junto ao Ministério Público - de que a área é de risco e de preservação ambiental. "As explicações ainda não ficaram claras, já que existem locais construídos muito próximos às casas das famílias e que não são considerados como habitações de risco, portanto, queremos também uma resposta para os nossos questionamentos, além das possibilidades de resolução do problema".
Situação
A moradora do Jardim Piatã, Elisiane Silva, artesã, de 34 anos, foi uma das moradoras notificadas pela prefeitura. Ela, assim como muitas outras pessoas, já mora lá há muito tempo. "Eu moro aqui há nove anos e conheço pessoas que estão aqui há mais de 20 e nunca houve notificação para sairmos do local. Inclusive, nós pagamos luz e água em dia. Eles alegam que nós invadimos a área, mas como, se temos luz elétrica e água encanada?", questionou.
*Texto supervisionado pelo editor.
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