Juristas evangélicos poderão ter voz em assuntos da ONU

ONU poderá abrir espaço para posições da Associação de Juristas Evangélicos
ONU poderá abrir espaço para posições da Associação de Juristas Evangélicos - FOTO: Reprodução
A Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) solicitou um status consultivo na Organização das Nações Unidas (ONU), o que permitiria discursar em reuniões oficiais, submeter informes em diferentes organismos e organizar debates.

Segundo o jornalista Jamil Chade, colunista do UOL, a solicitação tem sido vista com bons olhos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O grupo apoia as mudanças defendidas atualmente pelo Itamaraty na agenda internacional em temas como direitos humanos, sexualidade e outros aspectos da política externa.

No próximo dia 20, representantes da Anajure estarão no comitê da ONU sobre organizações não-governamentais (ONGs). O governo brasileiro é um dos 19 participantes do órgão que avalia a candidatura das ONGs.

Um dos principais promotores que têm denunciado diversas violações de direitos humanos até mesmo em escala internacional é o jurista Uziel Santana, presidente da Anajure. Ele explicou que tem realizado um trabalho com refugiados em países do Oriente Médio e trabalhado em coordenação com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, no Brasil.

Segundo a associação, apesar de ter conseguido agora o apoio do governo Bolsonaro para obter este espaço, sua atuação não pretende ser associada a partidos. "Nossa ação é independente de qualquer governo", disse o grupo. Como prova, a entidade destaca como emitiu comunicado contrário a uma proposta do próprio governo e a pareceres da Advocacia Geral da União (AGU).

Em junho de 2019, a Anajure emitiu nota oficial, apoiando as instruções do Itamaraty para que o país passasse a evitar usar o termo "gênero" nos debates na ONU. Em vez de abordar o tema pelo viés de "igualdade de gênero", o Itamaraty solicitou que se falasse em "igualdade entre homens e mulheres", esclarecendo que, para o governo, sexualidade se divide entre feminino e masculino.

Veja parte do posicionamento oficial: "A Anajure manifesta apoio à posição governamental acerca da não utilização do termo 'gênero' nos moldes propostos pela teoria de gênero; defende a possibilidade de se tratar tais temas no âmbito da política externa".

E também: "(A Anajure) rejeita a perspectiva proposta pela teoria de gênero a respeito do sexo ser mera construção social, reafirmando a existência de elementos biológicos que não podem ser ignorados; repudia distorções midiáticas ao noticiar acontecimentos relacionados a temas delicados, como a sexualidade".

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