Espanha está cercada pelo novo coronavírus

A Guarda Civil da capital apreendeu 150 mil máscaras
A Guarda Civil da capital apreendeu 150 mil máscaras - FOTO: Fernando Frazão/Agência Brasil
A Espanha vive um cenário desolador e inimaginável pouco tempo atrás. Anteontem foram 8,2 mil novos casos de coronavírus (Covid-19) e 832 mortes - o dia mais trágico até agora. No total, são mais de 70 mil contaminados e 6 mil mortos, que colocam os espanhóis, ao lado dos italianos, no epicentro da pandemia global. A Covid-19 cobrou o preço mais alto da capital Madri, que concentra 40% dos casos do país.

Famosa por seus bares, tapas e terraços ao ar livre, Madri virou uma cidade fantasma, militarizada após duas semanas de confinamento absoluto decretado pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Caminhar sem uma boa razão pode render multa de até 3 mil euros (R$ 17 mil).

O isolamento vai até o fim do mês, mas provavelmente será estendido por mais duas semanas. As imagens de Madri dão o tom da crise. Em uma ação, a Guarda Civil ocupou uma fábrica de máscaras e apreendeu 150 mil para levá-las a hospitais. Em outra, caminhões do Exército circulavam em bairros próximos ao centro com um alto-falante exigindo que as pessoas ficassem em casa.

O médico Javier Padilla disse ao Estado que o trabalho dos profissionais de saúde pública está no limite da capacidade, com infraestrutura sobrecarregada e recursos cada vez mais limitados, em razão dos cortes nos orçamento e das privatizações no setor. Segundo ele, existem hoje 1,3 mil trabalhadores a menos do que havia em 2009, período em que a população de Madri aumentou em meio milhão de habitantes.

"Teríamos de retornar ao número de profissionais por habitante que tínhamos antes da crise", afirmou Padilla. "Na Espanha, entre 2008 e 2012, tivemos um corte de 20% nos gastos com saúde. A região de Madri foi a que mais privatizou, o que causou uma perda da capacidade de controle do serviço de saúde".

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