Manifesto pede abertura do comércio, mas prefeitura mantém medida

Em uma semana de quarentena por conta da proliferação do coronavírus (Covid-19), Mogi das Cruzes já recebeu duas carreatas contra o fechamento do comércio. Ontem, a manifestação começou na Avenida Cívica, no Mogilar, e percorreu outros pontos da cidade, com aproximadamente 100 veículos.

Seguindo a mesma linha de ideais da primeira carreata, que aconteceu na sexta-feira passada, em frente à prefeitura, os manifestantes defenderam a liberação do comércio e somente o isolamento de pessoas do quadro de risco. Nos dois protestos houve discursos políticos e críticas às medidas para conter o avanço do novo coronavírus. Isso porque a Prefeitura de Mogi das Cruzes segue a mesma linha do governo do Estado, ou seja, o isolamento total, na medida do possível, e a paralisação do comércio considerado não essencial.

Esse tipo de movimento começou a ganhar força nos últimos dias, depois que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), se pronunciou em cadeia nacional pedido para que os brasileiros voltassem ao trabalho, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para o motorista de aplicativo e motoboy autônomo, Luiz Fernando Branco, de 36 anos, a quarentena pesará no bolso de muitas famílias. "Precisamos trabalhar, pelos menos parcialmente, seguindo horários planejados. Temos que fazer com que os governos pensem na situação dos trabalhadores, se não o estrago vai ser maior".

A empresária Cristiane Nogueira de Araújo, 38, explicou que possui 70 funcionários que querem voltar a trabalhar, mas por causa do decreto, todos estão sendo prejudicados. "A medida não foi necessária, os governadores e prefeitos começaram a antecipar isso sem necessidade. Não pensaram nos trabalhadores que precisam pagar suas contas?", questionou.

Na manhã de ontem, o prefeito Marcus Melo (PSDB) se pronunciou dizendo que a administração municipal entende as dificuldades que a pandemia está trazendo à economia do país, mas que o município continuará seguindo as recomendações dos médicos e da comunidade científica de todo o mundo, que apontam o isolamento social como a única maneira, neste momento, de se combater a propagação do vírus. "A prioridade é salvar vidas", reforçou.

*Texto supervisionado pelo editor.