Linha de frente no combate ao Covid-19 relata apreensão

A evidente possibilidade do contágio, a preocupação em cumprir com suas responsabilidades perante à população e o medo de transmitir a doença aos familiares são alguns dos sentimentos que os profissionais da Saúde de Mogi das Cruzes têm que administrar durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

E não é para menos. Na Espanha, por exemplo, onde a doença já fez mais de 7,3 mil vítimas, as autoridades anunciaram ontem que quase 12,3 mil dos infectados são profissionais da saúde - cerca de 14% do total de casos da Covid-19 no país. "Psicologicamente, a gente percebe muitos profissionais arrasados, chorando nos corredores das UPA (Unidades de Pronto Atendimento) e dos hospitais, devido a essa pressão que colocam na gente", relatou o diretor do Sindicato dos Enfermeiros de São Paulo, Rodrigo Romão.

Atuando na UPA 24 horas do Oropó, o enfermeiro contou que as jornadas de trabalho estão sendo respeitadas, mas que o sentimento de apreensão em ter contato constantemente com pessoas adoentadas, algumas com suspeitas da Covid-19, é frequente. "Medo misturado com obrigação. Fizemos um juramento pela vida, temos de cumprir", completou, afirmando ainda que não tem mais contato com os pais desde o início da pandemia, como medida de segurança à saúde dos familiares.

Assim também analisa o funcionário do Hospital Luzia de Pinho Melo, que preferiu não se identificar. Para ele, o fato de não poder abraçar e ter que evitar o contato com familiares dentro de sua própria casa é, de fato, um sentimento inexplicável. "Nós temos receio sim (de contágio), estamos na linha de frente em um local que possuí casos confirmados, esse é nosso dia a dia, essa é nossa rotina", expôs à reportagem.

Os cuidado e atenção redobradas com as medidas de proteção também estão sendo adotadas pelo farmacêutico da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Universo, Bruno Fernandes Bautazar de Oliveira. Na visão do profissional de saúde, a situação na unidade continua a mesma, mas alguns possíveis casos da doença já circularam pelo local. "Aqui temos mascaras, luva, avental e mesmo assim estamos redobrando a atenção. Não diria que tenho um medo porque já trabalhamos na área de saúde, mas que a gente fica apreensivo, isso é um fato", concluiu. (F.A.)