Estado tem 12 mil testes parados no Adolfo Lutz

Estado mais afetado pelo surto de coronavírus, com 1.517 casos e 113 mortes, São Paulo tem 12 mil testes parados no Instituto Adolfo Lutz aguardando análise. Sem capacidade para fornecer rapidamente o resultado do crescente número de exames recebidos, o laboratório tem levado até 15 dias para emitir os laudos. A epidemia, portanto, já deve ter alcançado índices maiores sem que muitos casos entrem nas estatísticas.

O número de testes aguardando análise foi informado pelo secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann, em coletiva de imprensa na tarde de ontem. Fontes da Pasta afirmam que é alto o volume de amostras que chegam a cada dia e o número de exames represados já chegou a 20 mil.

A situação tornou-se crítica porque o número médio de testes recebidos pelo Adolfo Lutz diariamente equivale ao triplo da capacidade do laboratório de análise. Até a semana passada, o órgão conseguia processar 400 exames por dia, mas vinha recebendo 1,2 mil amostras. Agora, segundo Germann, o Adolfo Lutz passou a analisar mil amostras diariamente - ainda inferior à demanda.

O cenário faz pacientes com sintomas esperarem indefinidamente pelo resultado. O porteiro Eduardo Correia de Melo, de 30 anos, levou dois dias e três idas ao hospital para conseguir passar pelo teste. Quando finalmente o fez, no dia 21 de março, teve a informação de que o resultado demoraria pelo menos dez dias. "Eu já melhorei, piorei, melhorei de novo e ainda não sei o que tenho. Mandei minhas filhas para a casa de parentes por precaução, estou afastado do trabalho sem saber se realmente é a Covid. Dá uma agonia", contou Melo, que fez o teste em um hospital público da zona leste de SP.

A sanitarista Ana Freitas Ribeiro, do Instituto Emílio Ribas, comentou que agora estão saindo resultados de amostras que foram enviadas quando o protocolo ainda era testar somente síndrome gripal em viajantes ou em quem tinha tido contato com alguém confirmado. (E.C.)