Produtores rurais enfrentam dias ruins para comercializar

Além da quarentena que afastou o cliente, setor teve prejuízos com as chuvas
Além da quarentena que afastou o cliente, setor teve prejuízos com as chuvas - FOTO: Mariana Acioli
Se a situação já estava complicada para boa parte dos produtores rurais devido a intensa temporada de chuva desse ano, a quarentena decretada pelo governo do Estado para frear o avanço do coronavírus prejudicou ainda mais o setor agrícola. Mesmo com a plataforma on-line criada pela Prefeitura de Mogi das Cruzes para o comércio de hortifrútis - intitulada Agrigu - produtores e o sindicato que defende a categoria já falam em ano de se reinventar para minimizar os prejuízos.

Até a noite de ontem, 146 lojas já haviam efetuado o pré-cadastro na plataforma Agrigu, sendo que 12 lojas estão ativas. Por parte dos consumidores, 736 clientes já se inscreveram no sistema. Os setores de hortifrúti, mercearia, flores, produtos artesanais, higiene pessoal e cosméticos e petshop já estão representados na ferramenta. Para dar suporte para a efetivação de cadastro, está disponível o Whatsapp 97354-0952 da plataforma e a Secretaria de Agricultura também está à disposição para auxiliar os empreendedores.

A plataforma municipal para comercialização de produtos está operando desde a última quarta-feira, e agrada parte do setor, principalmente os feirantes que conseguem se manter na ativa neste momento de paralisação. Entretanto, do outro lado da cadeia produtiva da cidade a falta de conhecimentos técnicos para manusear a plataforma vem impedindo que produtores consigam escoar suas mercadorias, restando apenas ferramentas mais acessíveis a esse público.

"Para quem tem internet boa a plataforma é fácil de acessar, mas em muitos sítios a internet não funciona, essa é a realidade. Além disso, muitos não sabem mexer neste tipo de tecnologia", explicou o presidente do Sindicato Rural, Gildo Takeo Saito, informando ainda que outro problema da plataforma para os produtores ocorre pela localização das plantações, uma vez que estas não possuem CEP definidos e são identificadas pela quilometragem de determinada estrada. A localização da residência é um dos pré-requisitos para cadastro na plataforma.

Entretanto, para muitos, a ferramenta está sendo a única forma de renda. O feirante Henrique Rossetti Amazonas, que há três anos trabalha nas feiras livres de Mogi, fala em "agradecimento à prefeitura", por disponibilizar uma ferramenta de e-commerce. "É fácil de mexer e tem um manual auto-explicativo. Ajuda bastante neste momento de paralisação. Essa semana mesmo já fiz duas vendas", disse o comerciante.

Ano difícil

No início do ano os comerciantes de frutas e hortaliças de Mogi das Cruzes já sentiam que seria um ano turbulento. Isso porque muitos já percebiam os efeitos das chuvas intensas que atingiram a cidade no início de fevereiro.

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) estimava, na oportunidade, que o prejuízo em decorrência da inundação após as fortes chuvas que atingiram São Paulo tenha sido de R$ 24 milhões.

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