O pior cenário

Continuamos ausentes de notícias boas. Apesar das medidas de isolamento adotadas pelos governos estaduais e prefeitos de inúmeras cidades, já temos (números de ontem) 4.579 de pessoas infectadas e 159 mortes.

A tendência é que esses números aumentem nos próximos dias, pois abril tem sido apontado como o mês no qual atingiremos o ápice do processo de contaminação. Teremos ainda muitas mortes, mas muitos daqueles que estão infectados ou que ainda vão ser infectados podem ser curados. Para isso, nesses casos de sintomas mais severos, elas precisam ter atendimento médico/hospitalar. E é aí que reside a importância de mantermos o isolamento social. Impedir que o número de novos casos dispare é a única maneira de impedir que o sistema de saúde entre em colapso.

O desenvolvimento da pandemia na Itália, Espanha e EUA deve nos servir de alerta. Nesses países houve excessiva demora na tomada de decisão de se promover o isolamento social, o que causou um crescimento descontrolado da doença, lotando os hospitais.

Nesse sentido, é extremamente lamentável que a autoridade máxima do nosso país, na contramão do que dizem os especialistas (inclusive os especialistas de seu próprio governo), insista em caracterizar os cuidados adotados por governadores e prefeitos como uma "histeria provocada por uma gripezinha".

É obvio que essa crise vai impactar severamente todas as economias. No Brasil, o Banco Central reduziu projeções e já prevê crescimento zero do PIB.

Mas o mais urgente é preservar vidas. A economia existe para atender as demandas da sociedade. O governo tem que adotar medidas para proteger as pessoas da doença e para que elas possam manter a satisfação das necessidades básicas. Disponibilizar recursos para preservar pequenas e médias empresas que são as que mais empregam.

A grande desigualdade social e a extrema concentração de riqueza que tanto caracterizam o Brasil indicam que chegou o momento dos mais ricos demonstrarem mais solidariedade. O sacrifício tem que ser de todos. Vamos evitar o pior cenário.