Contra o tempo

A primeira morte por coronavírus na região foi noticiada ontem. Como a maioria das vítimas no mundo inteiro, um senhor de 81 anos, morador de Suzano, tinha outros problemas de saúde - insuficiências cardíaca e renal crônicas -, que se agravaram depois de contrair a Covid-19. Após um infarto, ele ficou internado em um hospital particular e faleceu no dia 24, com suspeita de infecção por coronavírus. O resultado foi emitido pelo Instituto Adolfo Lutz, porém, ocorreu somente na segunda-feira passada.

O óbito aconteceu 19 dias após a confirmação do primeiro caso positivo na região. No dia 11, uma mulher de 33 anos, moradora da Vila Solar, em Ferraz de Vasconcelos, foi diagnosticada com coronavírus em um hospital de São Paulo, onde trabalha como enfermeira. Cinco dias depois, foi a vez do marido da paciente, de 37 anos, apresentar os sintomas e também ser internado. Nesta mesma data, o Alto Tietê já totalizava 79 casos suspeitos.

Neste curto espaço de tempo, todos os municípios da região tiveram de se mobilizar diante de uma pandemia fora de controle. Hoje, por exemplo, Mogi das Cruzes, com atuais 26 diagnósticos positivos e uma morte confirmada pela doença na cidade, inicia a construção de um hospital de campanha ao lado do Ginásio Municipal Professor Hugo Ramos, no Mogilar, com capacidade para abrigar 200 leitos de retaguarda com atendimento para casos leves e moderados, de acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde.

O governo de São Paulo anunciou na semana passada recursos de R$ 13 milhões para o G-5 do Alto Tietê. A verba, proporcional ao número de habitantes de cada cidade, será destinada a ações de prevenção. Mogi e Itaquaquecetuba devem se comprometer a implantar hospitais de campanha com leitos de enfermaria e espaços para isolamento. Os outros municípios também precisarão apresentar medidas complementares para fazer jus ao montante.

No atual momento de buscar, de todas as formas possíveis, o bloqueio do avanço da doença e criar estrutura para atender o volume de pacientes que certamente irá surgir, as decisões devem ser tomadas sem pestanejar, pois as mudanças de cenário são rápidas demais. Qualquer indecisão pode representar em mais vítimas do coronavírus.