Presidente Bolsonaro vai à TV e defende uso da cloroquina

Supremo autorizou a quebra do sigilo bancário de dez deputados e um senador
Supremo autorizou a quebra do sigilo bancário de dez deputados e um senador - FOTO: Carolina Antunes/PR/Agência Brasil
No quinto pronunciamento em rede nacional de rádio e TV em um mês, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender ontem à noite o amplo uso da cloroquina no combate à pandemia do coronavírus, embora ainda faltem estudos conclusivos sobre a eficácia do medicamento. Ele citou o exemplo do médico Roberto Kalil Filho, diretor-geral do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, que admitiu, também ontem, ter tomado o remédio para se tratar da doença. Depois de insistir no isolamento vertical, o presidente tem feito da defesa da cloroquina uma forma de disputa política e ataque a adversários.

O pronunciamento, que durou quatro minutos, foi novamente acompanhado por panelaços nas principais cidades do país. Na mensagem, Bolsonaro disse que defende, há 40 dias, o uso do remédio desde a fase inicial da doença, em desacordo com o que prevê o Ministério da Saúde. A Pasta indica cloroquina apenas para pacientes com quadro grave de saúde.

Após ameaçar cancelar na "canetada" decretos estaduais que restringem a circulação de pessoas como forma de evitar a disseminação da doença, Bolsonaro disse que "respeita a autonomia" dos chefes dos Executivos de Estados e municípios, deixou claro que a Presidência não foi consultada sobre medidas restritivas e afirmou que a responsabilidade por elas é "exclusiva" de seus autores.

Durante o dia, o discurso era outro, e Bolsonaro entrou em mais uma polêmica com o governador paulista, João Doria (PSDB). Pela manhã, sugeriu que o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência em São Paulo, escondia o uso do remédio por "questões políticas". Diagnosticado com Covid-19 no dia 23, Uip vinha sendo cobrado a esclarecer se tomou cloroquina.

Nas redes sociais, circulou a imagem de uma receita para aquisição do remédio assinada por Uip e datada de 13 de março. "A receita é da minha clínica. Ela é real. Alguém, em algum lugar, vazou essa receita de forma incorreta", declarou Uip, em entrevista à rádio Gaúcha. Segundo ele, a receita foi utilizada para estocar o medicamento em sua clínica para que pudesse ser utilizado por funcionários e médicos que, eventualmente, fossem infectados. Uip não revelou se usou a cloroquina.

"A cloroquina tem efeitos adversos, cardíacos, hepáticos e visuais. Tem que ser usada com critério, com observação do médico que prescreveu. Presidente, eu respeitei o seu direito de não revelar seu diagnóstico, respeite o meu de não revelar meu tratamento", disse o infectologista.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu um "posicionamento técnico" sobre a prescrição da cloroquina. "Não existe ninguém que é o dono da verdade. Hoje, esse medicamento não tem paternidade. Não tem que politizar esse assunto", disse, após reunião em que Bolsonaro lhe cobrou mensagens otimistas e medidas para evitar danos à economia.

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