Vice-presidente ganha fôlego político após manejo de crise

Fora do grupo de risco, Sonnenholzner sai fortalecido
Fora do grupo de risco, Sonnenholzner sai fortalecido - FOTO: Divulgação
"Sofremos uma forte deterioração de nossa imagem internacional e temos visto imagens que nunca deveriam ter ocorrido. Por isso, como seu servidor público, eu lhes peço desculpas. Quero transmitir meus mais sinceros pêsames a todas essas famílias que perderam um ente querido nesta semana". Essas foram as palavras do vice-presidente do Equador, Otto Sonnenholzner, ao pedir desculpas pelas cenas trágicas vistas em Guayaquil, em meio à crise do coronavírus.

Com 37 anos e no cargo desde dezembro de 2018, Sonnenholzner tem na resposta ao drama vivido em sua cidade natal a possibilidade de se fortalecer politicamente, considerando que em 2021 ocorre a eleição presidencial.

"Minha impressão é que ele percebeu que tem um espaço politicamente aberto. Ele é jovem, sabe se comunicar - o que na atual situação representa uma grande vantagem -, fala bem, se posiciona bem. Ele aproveitou a situação para assumir os erros (da administração) e se cacifar politicamente", avaliou o coordenador do curso de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), Moisés Marques.

"O vice não vem da política, vem da vida empresarial, de meios de comunicação. Junto com seu pai, conduzia programas de entrevistas na rádio. Então, ele tinha muitos vínculos políticos, é uma pessoa de fácil trato, agradável. Com o presidente sendo da terceira idade e com uma deficiência, essa era a situação natural, seria óbvio que ele (vice) assumisse esse papel", explicou o professor de Ciência Política da Flacso, Santiago Basabe.

Mesmo tendo sido um dos primeiros líderes da América Latina a implementar medidas para retardar a disseminação do vírus, o presidente Lenín Moreno teve sua administração criticada por falhas no sistema de detecção da doença. Com 67 anos, Moreno faz parte do grupo de risco para a Covid-19 e, por isso, atualmente não está na linha de frente do governo para lidar com a situação. (E.C.)

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