Saída de Moro repercute no mundo

Mídia apontou divergências entre Moro e Bolsonaro
Mídia apontou divergências entre Moro e Bolsonaro - FOTO: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O anúncio de demissão do ex-ministro Sergio Moro, que acusou o presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal para ter acesso a informações sigilosas, teve repercussão na imprensa internacional.

O The Guardian, um dos principais jornais do Reino Unido, afirmou que a saída do ministro cria um conflito político importante no momento em que o Brasil luta para conter a pandemia de coronavírus. Lembrou que Moro é um herói para grande parte da direita brasileira e uma figura criticada pela esquerda.

A reportagem citou ainda que, minutos depois do anúncio de Moro, já havia sinais de que Bolsonaro estava perdendo apoio com panelaços nas principais cidades brasileiras, incluindo em áreas fortemente pró-Bolsonaro no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O americano The Washington Post também deu espaço para a saída de Moro, dizendo que o ex-ministro tem uma grande fama de lutar contra a corrupção. O argentino Clarín também citou a onda de panelaços minutos após a saída do ex-ministro, que se tornou famoso internacionalmente por liderar a investigação que prendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril de 2018. A reportagem informou que a decisão fez o dólar subir e a Bolsa cair.

O francês Le Figaro noticiou que Moro saiu após ingerências políticas de Bolsonaro na Polícia Federal. Afirmou que o ministro teve promessa de trabalhar "com carta branca", que não foi cumprida por Bolsonaro. "A mudança de chefe da Polícia Federal sem causa real é uma interferência política, que mina minha credibilidade e a do governo", afirmou Moro, em trecho citado pela reportagem.

A revista americana Forbes, focada em negócios, destacou a queda da Bolsa brasileira em meio ao pedido de demissão do agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública. No texto, a publicação afirmou que o governo de Jair Bolsonaro "acabou de perder sua maior estrela", que "alcançou a fama" como juiz responsável pelas investigações da corrupção da Petrobras, e que "levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à cadeia e Jair Bolsonaro à presidência do Brasil".

A Forbes explicou que Moro está deixando o governo por não concordar com a saída do chefe da Polícia Federal - a "versão brasileira do FBI" - já que Bolsonaro quer "mais controle sobre essa divisão", ideia não aprovada por Moro. A revista destacou que o agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública "sinalizou que Bolsonaro estava interferindo em investigações".

A rede americana ABC News também comentou o episódio. "Moro supervisionou uma grande investigação sobre corrupção, que expôs bilhões em propinas e terminou na prisão de muitos empresários e políticos, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", relembrou.

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