Avanço da Covid-19 na região é comparado com o de Guarulhos

Com 1,3 milhão de habitantes, Guarulhos tem semelhanças com o Alto Tietê
Com 1,3 milhão de habitantes, Guarulhos tem semelhanças com o Alto Tietê - FOTO: Prefeitura de Guarulhos
O número de casos confirmados nas últimas duas semanas para o novo coronavírus (Covid-19) no Alto Tietê chama a atenção. Há cerca 15 dias, cinco casos da doença estavam confirmados, ao passo que até a última sexta-feira, 77 pessoas já haviam recebido diagnóstico positivo para Covid-19, o que representa um aumento de 1.440% no período.

Essa, porém, não é uma exclusividade do Alto Tietê, com cerca de 1,5 milhão de habitantes. A "vizinha" Guarulhos, que possui aproximadamente 1,3 milhão de moradores, apresentou números semelhantes. Por lá, eram 54 casos confirmados na sexta-feira, uma diferença de 23 casos entre o município e toda a região.

Assim como os dez municípios do Alto Tietê, Guarulhos também adotou severas medidas de isolamento, principalmente por possuir em suas dependências um dos mais importantes aeroportos do Brasil. Além de acatar quase todas as recomendações de especialistas da saúde, o município fez isso com antecedência, ciente dos riscos que corria.

Mesmo com esses fatos, o infectologista Lucas Chaves Netto afirma que a distância de apenas 23 casos confirmados para Covid-19 não significa, necessariamente, que o município tomou medidas mais efetivas ou que a antecedência dessas ações foi determinante para essa diferença. Para o especialista, quando se trata de regiões tão populosas quanto as mencionadas, os resultados das ações restritivas começam a ser expostos apenas após um prazo de 14 dias.

"A gente sabe que a Covid numa região de alta densidade demográfica se replica a uma pessoa passar para três ou quatro. Eu não acredito que o comportamento das pessoas já tenha sido suficiente para apresentar diferença nestas duas localidades", opinou.

O que pode ter sido determinante para que o município tenha menos casos que o Alto Tietê, mesmo com a proximidade com a capital, é a demora que o vírus se disseminou nas regiões mais periféricas do Estado, visto que o interior de São Paulo registra um baixo número de casos para a doença. "Além disso, o tempo de diagnóstico e a velocidade de resposta dos órgãos públicos podem, também, ter sido determinantes para que o número de casos seja diferente. É bom deixar claro que hoje estamos olhando para casos confirmados do passado", relatou o especialista, indicando que o tempo de resposta do diagnóstico é alto.

Testes rápidos

Especialistas apontam que a identificação da doença é uma das principais formas de combate ao coronavírus. Para isso, a procura por testes rápidos vem aumentando exponencialmente. Na região, Mogi das Cruzes e Suzano anunciaram a compra de testes rápidos - 10 mil aos mogianos e mil aos suzanenses.

O teste rápido é indicado apenas entre o sétimo e décimo dias do início dos sintomas, como febre e tosse. Não é recomendado para uso em toda a população, uma vez que não consegue diagnosticar o início da doença.

Deixe uma resposta

Comentários