Políticos opinam sobre adiamento de eleições municipais

As incertezas relacionadas à pandemia do coronavírus (Covid-19) analisadas em diversos segmentos da sociedade também se estende ao universo político, onde representantes dividem opiniões sobre a realização das eleições municipais deste ano.

A maioria dos representantes da política regional optaram em não comentar o assunto alegando que o foco, neste momento, não é o processo eleitoral e sim as medidas para mitigar o avanço da Covid-19 no Alto Tietê. Os que se dispuseram a comentar sobre o tema se dividiram entre a defesa da manutenção do calendário eleitoral e a necessidade de adiamento do pleito.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na figura da presidente, a ministra Rosa Weber, ainda considera prematuro o debate sobre alterações no calendário eleitoral e mantém o cronograma. Entretanto, a Corte entende que considerando a velocidade da evolução da doença no país, é necessário a constante reavaliação das providências sobre o tema.

A Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) já manifestou sua preocupação com a necessidade de haver um preparo para adaptar a realização das eleições deste ano e salvaguardar a saúde da população. "É precipitado cogitar do adiamento das eleições, por enquanto as autoridades ainda estão tomando as medidas necessárias, cujos resultados deverão ser avaliados em curto e médio prazo", informou a entidade.

 

"ELEIçõES EM 2022 é EXTREMAMENTE PREJUDICIAL à DEMOCRACIA", DIZ CIENTISTA POLíTICO

Acreditando que é possível um nivelamentos no calendário eleitoral, o cientista político Jackson Silva Ribeiro diz que caso a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) persista de modo severo a ponto pelos próximos meses, tornando inevitável o adiamento das eleições municipais de outubro, o ideal seria a realização do pleito em dezembro deste ano, caso assim seja possível. Segundo o especialista, a possibilidade aventada por alguns de um adiamento para 2022 para unificar as eleições municipais com as gerais seria extremamente prejudicial para a democracia brasileira.

"É necessário que a sociedade civil se atente a esse fato, fique alerta e cobre das autoridades políticas que um adiamento é uma medida extrema e que se for necessária que seja um adiamento de poucos meses e não para 2022", pontuou. 

Aos candidatos, inclusive, já há prejuízo neste momento, visto que o coronavírus obrigará a uma mudança na forma de fazer campanha. O tradicional corpo a corpo, modelo adotado principalmente em âmbito municipal não poderá ser realizado. Com isso, Ribeiro enxerga aumento nas campanhas digitais, através de redes sociais por exemplo tende a se tornar mais preponderante ainda dado a crise gerada pela pandemia. 

Além das mudanças no calendário a pandemia do coronavírus pode interferir nas eleições de diversas formas. Uma das principais alterações a ser causada pela Covid-19 é na avaliação do eleitorado às resposta que os atuais representantes darão ou não a crise. Caso a população note que as ações de prefeitos e vereadores mitigaram os efeitos da crise, que o sistema de saúde não entrou em colapso, que foi possível evitar mortes, tais mandatários tendem a se beneficiar da exposição de suas ações e tenderá a aumentar sua popularidade, opinou o especialista Ribeiro. "Mas o contrário pode acontecer também. Caso a opinião pública note que os mandatários estão falhando nas respostas à crise, caso notem uma falta de liderança diante da pandemia isso pode prejudicar os candidatos que estejam eventualmente exercendo cargos eletivos", concluiu. (F.A.)

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