Supostos remédios que tratam coronavírus começam a faltar

Redes de farmácias de Mogi das Cruzes começaram a sentir falta dos estoques de hidroxicloroquina e cloroquina depois que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu, em pronunciamento na noite de anteontem, o uso da composição no tratamento para pacientes que têm coronavírus (Covid-19). Em razão disso, o medicamento, utilizado no tratamento de doenças como lúpus e malária, não é mais entregue nos estabelecimentos devido ao novo enquadramento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Na cidade, a proprietária de uma farmácia localizada na rua Dr. Deodato Wertheimer, em Braz Cubas, Fabíola Estevam, comentou que os estabelecimentos nunca tiveram numerosas caixas do remédio por se tratar de um medicamento utilizado em doenças específicas como lúpus, malária e artrite. "Nós sempre tivemos no máximo umas três caixas de cloroquina, nunca passou disso. Depois que começou o vírus, nós vimos que a droga começou a ser bastante disputada", comentou.

Sabendo da alta procura do medicamento em farmácias, a Anvisa enquadrou a hidroxicloroquina e a cloroquina como medicamentos de controle especial, sendo vendidos em farmácias que produzem remédios manipulados. A medida foi tomada para evitar que pessoas que não precisam dos medicamentos provoquem um desabastecimento no mercado, deixando os pacientes que já utilizavam a droga sem realizar o tratamento indicado.

A restrição também ocorreu em razão dos efeitos colaterais que o remédio apresenta, sendo um dos motivos para que o proprietário Ricardo Selingardi, não encomendasse mais para o estabelecimento, que fica na rua Padre Álvaro Quinhones Zuniga, também em Braz Cubas. "Mais de 30 pessoas por dia estão passando aqui, perguntando do medicamento, só que eles precisam entender que os efeitos colaterais podem prejudicar o indivíduo, por isso nem encomendei", disse.

Apesar de alguns resultados animadores, não há ainda nenhuma conclusão sobre o benefício do medicamento no tratamento do novo coronavírus, segundo relatos de diversos especialistas, inclusive do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que classificou a droga como ainda em fase de testes, sendo prescrita somente para pacientes de gravidade média e avançada. Bolsonaro também conversou com o primeiro ministro indiano, Narendra Modi, pedindo que o país continue fornecendo os insumos da fabricação do remédio para garantir os avanços nos testes da hidroxicloroquina em pacientes com a Covid-19. O pedido foi aceito pelo premiê, que recebeu um agradecimento durante o pronunciamento do presidente.

*Texto supervisionado pelo editor.