Mesmo com acordos, sindicatos temem por demissões em massa

Período prolongado de isolamento social deve causar impactos para o setor industrial e gerar dispensas coletivas
Período prolongado de isolamento social deve causar impactos para o setor industrial e gerar dispensas coletivas - FOTO: Mogi News/Arquivo
Os sindicatos dos Metalúrgicos e dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Mogi das Cruzes e Região afirmaram temer por demissões em massa durante o período da pandemia do coronavírus, mesmo acreditando que os acordos firmados entre empresas e funcionários são os melhores, mas não suficientes. As declarações dos representantes foram dadas na manhã de ontem, quando questionados sobre a situação atual dos empregados no Alto Tietê.

"Ainda não sentimos essa movimentação (demissões em massa), até porque tem muita procura pelos acordos de redução de jornada ou suspensão contratual", explicou Miguel Torres, representante dos Metalúrgicos, afirmando ainda que os empresários estão procurando celebrar acordos com os funcionários pelo alívio fiscal que tal medida representa, uma vez que as empresas não estão com superávit. "Em nível nacional começam a pipocar demissões da categoria, mas na região é algo mais pontual", completou.

Assim também pensa o representante dos trabalhadores da Indústria da Construção e do Mobiliário do Alto Tietê, Josemar Bernardes André, setor diretamente atingido com o fechamento do comércio. Por ser relacionado ao setor fabril de comércio, o ramo já registrou cerca de cem dispensas, além de incontáveis suspensões e remanejamento de contratos.

"Caso seja prolongado esse período de quarentena, a Medida Provisória não irá suportar e haverá, sim, o risco de dispensa em massa", afirmou Bernardes André, citando a MP 936/2020, referente ao Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite de 1º de abril, que permite, além da redução de até 70% do salário, a suspensão de contrato de trabalho por até 60 dias.

Para a regional do Alto Tietê do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a MP traz instrumentos importantes para ajudar as empresas a enfrentarem as dificuldades econômicas atreladas à pandemia do coronavírus e a manterem os trabalhadores. "As demissões são o último recurso da Indústria, que primeiro esgota férias, banco de horas e outras alternativas para minimizar os impactos da baixa produtividade", contrapôs a entidade. Em nota, o vice-presidente do Ciesp, Renato Rissoni, falou que o setor não está obrigado a paralisar suas atividades e que mesmo que alguns segmentos tenham reduzido suas operações por falta de matéria-prima e baixa demanda, há outros que estão em funcionamento. 

Enquanto o termo usado para as demissões pela Indústria ainda é o de "expectativa", o varejo já sente essa realidade. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio), 600 funcionários já foram desligados de seus postos, mesmo com os mecanismos governamentais de segurança trabalhista.

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