Hospital de campanha segue indefinido em Arujá e Itaquá

No Alto Tietê, os municípios de Suzano, Poá, Ferraz e Mogi das Cruzes estão erguendo unidades de retaguarda
No Alto Tietê, os municípios de Suzano, Poá, Ferraz e Mogi das Cruzes estão erguendo unidades de retaguarda - FOTO: Mariana Acioli
Os municípios de Itaquaquecetuba e Arujá seguem sem novidades no que diz respeito à construção dos hospitais de campanha para tratar pacientes do coronavírus (Covid-19). Apesar de questionadas na tarde de ontem, ambas as prefeituras não afirmaram os locais de instalação dos hospitais, bem como a data do início das obras. A Secretaria de Saúde de Arujá explicou que os gestores do município ainda estão estudando a construção.

Já a Prefeitura de Itaquá, que recebeu R$ 3.665.190 no final do mês passado para serem utilizados em ações voltadas à saúde pública para combater a pandemia, afirmou ontem que está adotando todas as medidas cautelares para conter o vírus. Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde ressaltou que todo o recurso será utilizado durante o período da quarentena.

Apesar de não fornecer nenhuma informação sobre a construção do hospital de campanha, a Prefeitura adiantou que está utilizando a verba disponibilizada pelo Estado para a compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como luvas, máscaras e aventais.

A conta efetuada pela Secretaria do Estado de Saúde para o repasse dos recursos, segundo a Prefeitura de Itaquá, baseada no número de moradores, não está correta. "Nós recebemos o equivalente a R$ 10 por habitante, segundo censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 2018, representando aproximadamente 360 mil habitantes. No entanto, a população real de Itaquaquecetuba é de aproximadamente 500 mil habitantes", explicou a Pasta sem, no entanto, apresentar dados que confirmem essa estimativa populacional.

Outras prefeituras da região já começaram as construções dos hospitais de campanha, como em Mogi das Cruzes, Suzano, Ferraz de Vasconcelos e Poá. Em Mogi, a unidade destinada ao tratamento de pacientes com coronavírus está sendo construída na Avenida Cívica. Em Suzano, as obras acontecem na Arena Suzano e em Ferraz, no Ginásio de Esporte Professor Adão Dias dos Santos.

Em Poá, o hospital de campanha também está sendo construído no Centro Municipal de Especialidades (Ceme). De acordo com a prefeitura, a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal Guido Guida chegaram a 30%.

*Texto supervisionado pelo editor.

CâMARA DE ITAQUá CRIA CEI PARA INVESTIGAR REPASSE

A Câmara de Itaquaquecetuba instaurou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar o que a Prefeitura está fazendo para combater o coronavírus (Covid-19) na cidade. Os vereadores querem saber o que o poder Executivo fez com R$ 3,6 milhões destinados pelo governo do Estado para enfrentar a pandemia. Além disso, parlamentares questionam por que Itaquá não tem ações que já ocorrem em outras cidades da região.

"Se ele (prefeito Mamoru Nakashima) sumiu, se ele abandonou a cidade, nós temos a responsabilidade de afastá-lo. (A Prefeitura) recebeu R$ 3,6 milhões para fazer hospital de campanha. Gastou o dinheiro e não fez o hospital de campanha. Já temos três casos de morte por coronavírus em Itaquá. Em Mogi das Cruzes estão preparando para mil óbitos, imagina quanto não serão em Itaquá", criticou o vereador David Neto (PP) durante a sessão extraordinária realizada na última quarta-feira.

Para o presidente da Câmara, vereador Edson Rodrigues (Podemos), o Edson da Paiol, a pergunta principal é: "Onde foi parar o dinheiro destinado para Itaquá tratar do coronavírus?". "Percebemos duas dispensas de licitação feitas pela prefeitura nos últimos dias, cada uma acima de R$ 1 milhão. São para a compra de equipamentos de saúde, ok, mas e o hospital de campanha? Se ele gastou tudo isso, não temos mais hospital, sendo que Ferraz de Vasconcelos, Poá, Suzano, Mogi das Cruzes, Guarulhos, todas essas cidades instalaram hospitais de campanha".

Edson da Paiol ainda denunciou que a prefeitura fechou todos os postos de saúde durante o último feriado, sendo que a população precisa dessas unidades nesse momento de pandemia. "Mesmo sabendo da gravidade da situação, ele mandou fechar todos os postos no feriado, deixando a população abandonada durante essa crise. Isso é um crime", disse o vereador.

A CEI foi protocolada pelos vereadores Armando Neto (Patriota), Adriana do Hospital (PSDB), Santiago (PSD), David Neto (PPS), Edson da Paiol, Vandão (PSD), Pelé da Sucata (PSDB) e Valdir da Farmácia (PSD). Três parlamentares serão indicados pelo colégio de líderes para fazer parte da comissão e dar início às investigações.

Além desta comissão, uma outra CEI protocolada pelo vereador David Neto no início do ano também terá seus membros definidos. Neste caso, o objetivo é investigar irregularidades também na área da saúde, mas por supostas denúncias ocorridas antes mesmo da crise do coronavírus. 

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