Comerciantes tentam negociar abertura de estabelecimentos

O Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio) sinalizou ontem o interesse da flexibilização das medidas restritivas da quarentena com o objetivo de que parte do comércio tenha autorização de retomar o funcionamento. Entretanto, a reabertura do comércio não deve ocorrer em contrassenso à Prefeitura, uma vez que a entidade afirma entender que o aval da administração municipal pode evitar transtornos futuros aos próprios comerciantes.

Em entrevista à reportagem na manhã de ontem, o presidente do Sincomércio, Valterli Martinez afirmou ter recebido um documento de associações comerciais de cidades do interior paulista que, em resumo, incentivam a reabertura do setor, mesmo com a prorrogação da quarentena por parte do governo do Estado de São Paulo (leia mais na página 3). No entanto, o representante da categoria mogiana entende que esta pressão feita por associações do interior ocorre porque a intensidade que o coronavírus atinge a capital e a Região Metropolitana não é a mesma que afeta outras localidades do Estado. "Estamos redigindo uma nova carta com nossos diretores e comerciantes, que estamos utilizando como consultores para negociar com a prefeitura", afirmou o representante do Sincomércio na região, informando ainda que o anseio da categoria é para a reabertura de pequenos comércios que não gerem aglomeração, como chaveiros, papelarias, entre outros.

Mesmo com a precaução em manter o diálogo com a Prefeitura, Martinez foi enfático ao afirmar que há uma desejo claro da categoria em retornar os trabalhos de forma gradativa, uma vez que "as demissões já são realidade no município", como explicou. "É um problema que todos nós passamos. A gente está tentando regrar isso (reabertura do comércio) porque o desemprego já é uma realidade", concluiu.

Emprego

Em transmissão ao vivo realizada em sua conta no Facebook, no final da tarde de ontem, o prefeito Marcus Melo (PSDB) afirmou estar solidário aos empresários com empreendimentos no município, mas pediu que estes não demitam seus funcionários, mesmo que seja necessária a aquisição de empréstimos durante o período da pandemia. "Peço aos empresários que não dispensem seus funcionários. Temos que tentar nos esforçar ao máximo para garantir o emprego dessas pessoas, mesmo neste momento. Só assim vamos fazer com que nossa economia volte a rodar com mais facilidade", solicitou Melo.

Categorias

Há um claro temor de diversas categorias que representam a classe trabalhadora em relação ao desemprego no Alto Tietê. Na última quinta-feira, os sindicatos dos Metalúrgicos e dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Mogi das Cruzes e Região afirmaram temer por demissões em massa durante o período da pandemia do coronavírus.