Coronavírus vai inaugurar um novo rumo para a humanidade

Objetivo é estimular os cidadãos a redobrarem cuidados
Objetivo é estimular os cidadãos a redobrarem cuidados - FOTO: Divulgação
A pandemia do coronavírus está sendo tratada por especialistas como um divisor de águas para o futuro da humanidade, sendo que a partir deste surto, algumas características serão alteradas e darão novos rumos à sociedade. O momento, porém, não é inédito, uma vez que a população já passou por capítulos semelhantes - por vezes mais severos - ao longo da história. Em diversos destes episódios de surtos, a humanidade tirou lições práticas e traçou rumos alternativos.

Uma das primeiras pragas registradas e descritas com exatidão pela sociedade atingiu a Europa por volta de 1350. Estima-se que a peste bubônica tenha matado um terço da população mundial e, como consequência da alta taxa de mortalidade, ocorreu a escassez de mão de obra para os proprietários de terras no século XIV, desmoronando o velho sistema feudal. As mudanças e a ineficiência deste sistema fez com que a Europa Ocidental desenvolvesse uma economia mais moderna, baseada na utilização de dinheiro como principal recompensa pela prestação de serviços.

Um século depois, a varíola nas Américas levou a outras mudanças significativas na sociedade. Com a política de escravidão adotada pelos colonizadores europeus e principalmente com as doenças que estes traziam para as terras recém descobertas. Estudos apontam que houve uma redução significativa da população nas Américas, o que levou a uma queda no volume de terra que estava sendo cultivado ou ocupado. Com isso, grandes áreas voltaram naturalmente a ser florestas. Posteriormente, com o enorme crescimento de plantas e árvores, níveis de dióxido de carbono (CO2) caíram resultando em uma significativa redução na temperatura em diversas partes do mundo, o que levou cientistas a considerarem este período como a "Pequena Era do Gelo".

E não para por ai. A febre amarela foi o maior problema de saúde pública do Brasil entre meados dos séculos XIX e XX. De acordo com uma agência de notícias ligada à Fundação Oswaldo Cruz, a doença atingiu 90.658 dos 266 mil habitantes do Rio de Janeiro, causando 4.160 mortes, de acordo com os dados oficiais, ou até 15 mil vítimas, segundo a contabilidade oficiosa. Com a nova doença, investimentos em pesquisa foram realizados, e hábitos de limpeza pública foram iniciados, assim como ocorre atualmente com o coronavírus.

Assim também é previsto com a Covid-19. De acordo com o psicólogo Rodrigo Rui Martins, reações antagônicas são esperadas após este período. "Um grupo irá ter reações de insociabilidade, devido a memória recente de tudo que aconteceu; e haverá um grupo que agirá de forma oposta, aumentando o nível de sociabilidade e aproveitando para se expor o máximo possível ao contato humano", afirmou o psicólogo em entrevista ao Grupo Mogi News.

EBOLA E HIV SãO EXEMPLOS RECENTES

Um dos episódios mais recentes de surtos por doenças que modificaram de alguma forma a sociedade ocorreu longe dos radares da mídia, mas também apresentou efeitos devastadores. A doença pelo vírus ebola é uma das mais significativas na África subsaariana, ocasionando surtos esporádicos, afetando diversos países. De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, o agente da doença é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus, descoberto em 1976, a partir de surtos ocorridos ao sul do Sudão e norte da República Democrática do Congo (anteriormente Zaire), próximo ao rio Ebola, mesmo nome dado ao vírus. A doença, conhecida anteriormente como Febre Hemorrágica Ebola, é grave, muitas vezes fatal e com taxa de letalidade que pode chegar até os 90%. Não há registro de Ebola no Brasil.

Uma decisão sem precedentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou a atenção e é cogitada por especialistas em relação ao novo coronavírus. A entidade apoiou o uso de drogas sem a certeza da eficácia do tratamento, ou seja, até então pouco testadas. Além disso, um grupo de voluntários da área tecnológica se uniu ao Google e à ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) para desenvolver um tablet à prova de ebola, com o intuito de levar informação.

Bem mais divulgada na mídia e que chegou ao Brasil com força devastadora foi o HIV, sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da Aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. No final dos anos 80, diversas personalidades contraíram o vírus HIV, desenvolveram a Aids e faleceram. Estudos apontam que o uso de preservativos não era frequente como atualmente, um dos reflexos mais visíveis da crise de Saúde Pública no Brasil. (F.A.)

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