Quarentena completa um mês

Movimento ainda existe pelas ruas, mas rotina da população foi muito alterada
Movimento ainda existe pelas ruas, mas rotina da população foi muito alterada - FOTO: Mariana Acioli
Entre divergências, protestos, ameaças e resultados práticos, a quarentena decretada pelo governo do Estado completa hoje um mês com a promessa de retorno gradual da economia a partir do dia 11 de maio. Foi por meio do Decreto Estadual nº 64.881, de 22 de março, assinado pelo governador João Doria (PSDB), que o Estado começou a aplicar a "restrição de atividades para evitar a possível contaminação ou propagação do coronavírus (Covid-19)", como diz o texto do documento.

Desde então, mesmo com a manutenção de 74% da economia - como detalhou recentemente o governo do Estado - carreatas contra o isolamento ocorreram no Estado e no Alto Tietê (mesmo de que maneira tímida na região), além de uma série de medidas para contornar os reflexos negativos, que foram a marca do isolamento social. São Paulo é o epicentro da pandemia no país, com mais de 778 mortes, sendo 53 apenas na região, com os dados mais recentes divulgados pelos órgãos oficiais.

Dias após o início do isolamento, apoiadores dos movimentos que pedem o fim da quarentena total, realizaram uma carreata em frente à Prefeitura de Mogi das Cruzes para pedir a reabertura do comércio. Na oportunidade, cerca de cem carros ocuparam parcialmente a avenida Narciso Yague Guimarães. A reabertura do comércio e a prejudicial paralisação da economia, inclusive, seria - e continua sendo - o principal argumento utilizado por quem defende o fim da quarentena.

O movimento ganhou força depois que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), se pronunciou em cadeia nacional solicitando que os brasileiros voltassem ao trabalho, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) - o que caracterizou outra marca desta quarentena: a disputa política e a contrariedade de discursos.

Com a paralisação obrigatória de todo o comércio não essencial - como determina o decreto estadual - mecanismos de sustento aos mais prejudicados foram implantados, como o auxílio emergencial que, mesmo após um mês, ainda encontra dificuldades para ser repassado a todas as camadas da sociedade. Em Mogi das Cruzes, paralelamente ao montante prometido pelo governo federal, por meio da Caixa Econômica, a Prefeitura criou o Comitê de Assistência Social e Econômica (Case), com o objetivo de organizar ações, condutas e orientações que possam diminuir os impactos dos efeitos gerados durante a pandemia.

Alto Tietê

Os municípios do Alto Tietê se portaram de forma uniforme durante este período. Até os prefeitos mais relutantes em aceitar a realidade a qual a região estava exposta tomaram as medidas necessárias para o enfrentamento da pandemia. A principal ação de alguns municípios (Mogi das Cruzes, Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Poá e Arujá) foi a construção de hospitais de campanha. Até o momento, não houve a necessidade da utilização dos equipamentos, que seguem em construção.

 

ISOLAMENTO PROVOCA EFEITOS NA SOCIEDADE

Considerada por muitos a maior quarentena decretada na história recente, o período de isolamento social por conta do novo coronavírus (Covid-19), que completa um mês hoje, é marcado por aspectos positivos e, em maior proporção,  negativos. Principalmente econômicos.

Com a paralisação de boa parte da economia, ruas ficaram mais vazias de pedestres e carros, e houve a redução de transportes públicos em circulação. O resultado dessa rápida e intensa mudança de comportamento foi uma significativa melhora da qualidade do ar em muitas cidades ao redor do mundo. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), todas as regiões monitoradas registraram qualidade do ar boa para poluentes primários, aqueles emitidos diretamente das fontes poluidoras. Assim também ocorreu no Reino Unido, onde imagens da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) mostraram redução de 60% nos níveis de dióxido de nitrogênio (NO2) liberados pelos escapamentos de automóveis e por usinas termoelétricas.

Mas a quarentena também apresentou reflexos negativos para a sociedade. Além do desemprego em massa, que começa, aos poucos, a dar sinais claros que será uma realidade em breve, o número de casos de violência contra a mulher aumentou significativamente. A quantidade de feminicídios subiu 46,2% no Estado de São Paulo durante o período de pandemia, de 13 para 19 casos, segundo informou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Além disso, a entidade revela que a Polícia Militar atendeu 44,9% mais casos de mulheres vítimas de violência em suas casas.

Retorno

Agora, o termo é "flexibilização". Na última quarta-feira, o governador João Doria (PSDB) afirmou que um grupo técnico analisará individualmente a solicitação das categorias produtivas para decidir como será realizado o retorno gradual da economia. (F.A.)

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