Compreensível

Ainda que longe de ser justificável neste momento em que o número de mortes pela Covid-19 continua a aumentar diariamente, a pressão do Comércio para a flexibilização das medidas restritivas e retomada de parte da economia é compreensível.

Seja por parte dos sindicatos que insistem na reabertura de comércios que não geram aglomerações, seja por parte da Indústria que teme por demissões, ou mesmo empresários de classes unidas , como os do ramo de academias que voltaram a fazer manifestações nas redes sociais, a pressão para que prefeituras flexibilizem as regras adotadas pelo governo do Estado vem de todos os lados.

E não é para menos. Ainda não há um cálculo oficial de quantas demissões já foram realizadas durante a paralisação do Comércio em razão da pandemia, mas é evidente que muitas famílias deixaram de ter seu sustento desde que as portas tiveram que ser baixadas.

A mais recente investida do setor terciário se deu pelo Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio). A entidade sinalizou no interesse de flexibilizar as medidas restritivas com o objetivo de que parte dos estabelecimentos possa retomar o funcionamento. Mesmo com o anseio da categoria, a reabertura não ocorreria em contrassenso às administrações municipais, uma vez que a entidade afirma entender que o aval do poder público pode evitar transtornos futuros aos próprios comerciantes.

Na última quinta-feira, em reportagem do Grupo Mogi News, sindicatos afirmaram temer por demissões caso a quarentena fosse prorrogada, como foi. Além disso, mais de 50 empresários do ramo de academias se reuniram para analisar maneiras de pressionar a prefeitura para reabertura de seus estabelecimentos. Compreensível, mas não justificável.

No mesmo dia que a entidade representante do comércio varejista do Alto Tietê encaminhava a carta solicitando flexibilização das medidas restritivas para o Comércio, o Brasil amargava as piores 24 horas no número de mortes pela Covid-19, com 217 óbitos. Em todo o Estado de São Paulo já ocorreram 928 mortes. Quarentena prorrogada.