China

O mundo revelou de forma explícita a dependência comercial da China durante a pandemia de Covid-19. Respiradores, essenciais no tratamento dos casos mais graves da doença são objeto de leilões onde quem paga mais, e à vista, leva insumos hospitalares.

A transferência do parque industrial do mundo para China revelou sua inconveniência. A indústria brasileira não se mostrou capaz de suprir a demanda por um item básico, como a máscara facial. Respiradores também não conseguem ser produzidos em larga escala nem com a rapidez necessária. O governo federal não apresentou um plano emergencial sequer para a produção de álcool em gel e máscaras faciais, não criou uma fila única de UTI, não revelou se há pesquisas coordenadas para o tratamento ou vacina contra Covid-19. A única coisa que se vê é o presidente contrariando seu próprio ministro da Saúde e, ao invés de demiti-lo, o mantém.

O governo de São Paulo está comprando diretamente da China milhões de máscaras, equipamentos e testes para o combate ao Covid-19 e foi buscar em voos fretados. Enquanto isso o presidente tenta encontrar um nome para ocupar o Ministério da Saúde, quer trocar o pneu do carro com ele em pleno movimento.

A Pasta da Saúde possui um orçamento bilionário que se tornará ainda maior durante a pandemia e politicamente é tentadora, mas quem a assumir tem a consciência que será um fantoche do presidente e arcará o peso político e administrativo da pasta mais importante e visada do Brasil.

É preciso mais do que competência técnica, é preciso coragem de ser mandado por um leigo que se baseia no senso comum, no achismo e nos estudos científicos das redes sociais. Não só ele, mas seus filhos e ministros que atacam gratuitamente a China, aquela com que mantemos intensa relação comercial exportando grãos e minério de ferro e importando respiradores e tudo o mais que é produzido pela indústria. Boa sorte ao novo ministro, ele vai precisar, assim como todos nós.