Reabertura

Após mais de 30 dias de medidas restritivas ao comércio e serviços, ensaia-se o retorno. O processo de isolamento, ainda que parcial, revelou a debilidade das micro, pequenas e médias empresas e do povo brasileiro.

A miséria é uma realidade que foi escancarada com a redução do fluxo de pessoas que deixavam suas migalhas aos milhões de miseráveis, ou ainda consumiam produtos e serviços de milhares de informais. A expressão vender o almoço para comprar a janta nunca foi tão real como agora.

Apenas alguns dias sem atividade levaram ao colapso milhões de brasileiros que sobrevivem das migalhas, de mascates, dos bicos, marretando pelos grandes centros onde sempre sobra "um qualquer" e a solidariedade descompromissada funciona.

Reabrir o comércio, ainda que de forma gradual não vai solucionar o problema dos milhões de miseráveis, mas será um alento para esses excluídos. O pequeno comerciante, o empresário familiar, aquele que por incrível que pareça também vende o almoço para comprar a janta, terá uma esperança. O mar de desempregados aumentou e vai continuar aumentado, quem tem recursos financeiros não estará com a carteira aberta para fazer a economia girar, as reservas são fundamentais na incerteza. A retomada será lenta e se dará no curso da pandemia, ainda sem remédio e sem vacina. Tudo de forma experimental, lenta e com possibilidade de recuo em caso do aumento do contágio e pressão no sistema de saúde.

A prudência ainda é a nossa única arma, mas o isolamento prolongado num pais em que mais de um terço da população vive na miséria não é opção. A retomada ocorre sem coordenação nacional .O estrago já está feito, a pandemia veio nos colocar em nosso devido lugar, mostrou qual é o Brasil real, a necessidade da eleição de gestores e que a máquina estatal faz diferença na crise. Não precisamos de ditadura, nem de estado de exceção, precisamos de comando, de negociação, de política, de ciência, instituições respeitadas e imprensa livre. É assim que funciona em países civilizados, livres e democráticos.