Que segunda-feira

Como todos sabem, além desta coluna semanal aqui no Mogi News, eu participo toda quinta-feira do programa "Radar em Debate", na Rádio Metropolitana. São duas atividades onde assumo a condição de um analista dos fatos relevantes ocorridos no Alto Tietê, no Estado, no país e no mundo (que não é plano). São análises sobre economia, política, comportamento e demais temas que estabelecem relação com esses três.

O Brasil vive uma grave crise econômica que se arrasta desde pelo menos 2015. Junto dela vieram as crises política e institucional. Em 2016, tivemos o afastamento da presidente Dilma e em seguida o seu impeachment. De lá para cá tivemos dois anos de governo Temer, uma eleição presidencial e um ano de governo Bolsonaro, completado no início deste ano.

Em 2019 o governo se empenhou muito para fazer a reforma da Previdência. Independentemente do juízo de valor que se possa fazer dela, a verdade que ela foi vendida como um remédio que curaria todos os males que acometem nossa economia. Como disse muitas vezes, a tal reforma não produziria tal efeito. Da mesma forma que a reforma trabalhista feita no governo Temer também foi apresentada como solução para a geração de novos empregos, o que efetivamente não ocorreu.

E com todo esse cenário veio o coronavírus. E com ele veio o pânico de ontem. Bolsa despencando no Brasil e pelo mundo afora. Dólar batendo nas nuvens. E um ministro da Economia dizendo que a solução está nas reformas (administrativa e tributária) que, como bem sabemos, dificilmente ocorrerão em um ano eleitoral e sem a solução da crise institucional que tanto se agravou nas últimas semanas.

O pânico vivido ontem não é pelo que já passou. É pelo que está por vir. Isso em relação ao conjunto das nações. Aqui, além do coronavírus e todos os seus efeitos, temos também os nossos problemas. Temos um governo que insiste em não ser governo, que insiste em não assumir suas responsabilidades. Que continua apontando o dedo para outros supostos culpados.