De carros?

No passado - e falo de tempo bem próximo -, os descontentes se uniam em passeatas, e, à pé, entoando slogans, com faixas e cartazes, através de "apitaços", protestavam nas ruas. Vejo nos jornais, que, agora, com uma certa constância, através de "carreatas", alguns poucos têm saído, conclamando a abertura do isolamento, em instante em que impera a desgraça da Covid-19.

Do interior de seus possantes veículos; embalados pela brisa que brota do ar condicionado; com certeza usando máscaras, os "buzinaços", no sábado, tiraram o sono dos moradores do badalado bairro dos Jardins, na capital paulista.

Leigo, como a grande maioria dos leitores, mas levado pela experiência dos anos, pensei cá com os meus botões: se não há perigo, conforme apregoaram, de se mandar o povo às ruas, porque não saíram andando, se abraçando, tomando café nas padarias? Se tudo não passa de histeria pregada por autoridades preocupadas em espalhar o caos, qual o motivo de não voltarem ao velho e tradicional costume de palmilharem as vias públicas, como tantas vezes se usava fazer?

A mim pareceu lógico que, a conotação política empregue naquela hora - o desfile contou com a exibição de bandeira americana, e, pasmem, até símbolos do império; teve gritos contra Doria; juras anticomunistas, além do nojento ato de exibição de "arminhas", em homenagem explícita ao presidente da República - buscou motivar, como "massa de manobra", a população sofrida e apreensiva pela queda econômica, inexorável em país que nada tem a oferecer.

Saliento a "massa de manobra", porque, tantos dos "enfurecidos" tendo idade acima dos 60 - grupo de risco visível - em conseguindo o objetivo, se precaverão em suas mansões, deixando na linha de frente, na tentativa de encher-lhes as burras - procedimento um tanto burro - os necessitados, como sempre, apenas um número para o burguês endinheirado?

Jogo execrável para a mídia; seres insensíveis com seus semelhantes, que denigrem a raça humana; devem merecer todo o repúdio, ao menos dos livres pensadores.

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