Volta gradual

Com a liberação parcial para o funcionamento de 15 boxes no Mercado Municipal de Mogi das Cruzes, o que ocorreu na manhã de ontem, há indícios de uma volta gradual das atividades comerciais na região central da cidade. Em Suzano, desde o início da semana, a prefeitura autorizou o retorno à rotina para alguns setores, como lojas de material de construção, oficinas mecânicas e lavanderias, dentro do grupo dos estabelecimentos considerados não essenciais. O exemplo das duas cidades reflete nas atitudes de outros municípios do Alto Tietê, que também permitiram a volta restrita do comércio.

Não se trata de uma desobediência ao decreto de quarentena formalizado pelo governo do Estado, programado para durar até a próxima segunda-feira, mas sim, da chamada flexibilização que permite o funcionamento gradativo de setores que dependem do contato físico com os consumidores. Nem todos os comerciantes têm estrutura e hábitos para a comercialização via internet, o que lhes garantiria o sustento. Quem teve condições de recorrer à tecnologia para dar continuidade à venda de produtos, pode ter apenas minimizado os prejuízos.

A reabertura também não pode ser configurada como a clareza de que o isolamento social foi exagerado e uma medida tomada de forma prematura. Os setores mais críticos da quarentena alegam que o fechamento radical do comércio levaria ao desemprego e a falência de muitas empresas menores, sem condições de arcar com as despesas ao ter as portas fechadas. Em momento algum as prefeituras permitiram a flexibilização por não concordar com as recomendações para a restrição no trânsito das pessoas. Ao contrário, as administrações seguem empenhadas no alerta para o isolamento social como melhor defesa para se evitar a propagação do coronavírus.

O que se percebe, no entanto, é uma certa normalidade dentro de uma situação atípica, prato cheio para os estudos e teses de sociólogos e psicólogos. A natureza humana é infinitamente capaz de se adaptar às situações mais adversas. Por uma motivação de se defender de uma pandemia, as pessoas estão se reinventando.

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