Bom senso

Como era de se esperar, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), prorrogou a quarentena no Estado até o dia 22 de abril. Com isso, a regra para o isolamento social e o fechamento do comércio não essencial vai completar 30 dias desde que foi instaurada, no dia 24 de março. A medida segue, novamente, as orientações das autoridades da área, partindo de recomendações expressas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem sido obedecida no mundo inteiro, como primeiro procedimento para conter o avanço do coronavírus.

Segundo o próprio governador admitiu ontem, durante a coletiva no Palácio dos Bandeirantes para anunciar a extensão da medida de confinamento, a decisão não foi tão simples como deveria. Na última semana, cresceram os movimentos de empresários pelo fim da quarentena, sob a constatação inevitável dos prejuízos acarretados pelas portas fechadas. As pressões foram tão fortes que Doria confirmou ter recebido ameaças por telefone, inclusive com áudios, o que o obrigou, segundo disse, a isolar sua família no interior de São Paulo, sob forte esquema de segurança.

Para justificar a manutenção do isolamento social, o governo do Estado apresentou um relatório com dados estatísticos dos números de pessoas infectadas e de mortes em São Paulo, já refletido com a ausência de pessoas nas ruas. O infectologista David Uip, que ficou afastado do cargo de coordenador do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo por ter contraído a doença, mas já está se recuperando, utilizou de seu próprio depoimento e de outros colegas da área médica para fundamentar a decisão de prorrogar a quarentena.

Na região, os municípios enfrentam problemas semelhantes em relação à resistência de alguns segmentos do comércio, mas os prefeitos também mantiveram as regras de restrições. Na semana passada, inclusive, a Procuradoria Geral de Mogi precisou recorrer ao Tribunal de Justiça para impedir a organização de carreatas e a postagem de mensagens por meio das redes sociais que incentivassem a reabertura do comércio e a saída das pessoas de suas casas. Por enquanto, na queda de braço entre a Saúde e a Economia, a primeira está levando vantagem. E que assim continue.

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