Bom senso

Os impactos da pandemia do coronavírus praticamente não deram trégua a nenhum dos setores da economia. Com a população, ou pelo menos grande parte dela, restrita ao limite de suas casas, vários segmentos precisaram se reinventar para encontrar a medida sensata de sobrevivência sem ferir as questões éticas pela não exploração de um momento crítico da saúde, mas de postura coerente com ações de solidariedade por uma causa maior.

Dividida neste panorama peculiar, a publicidade forneceu exemplos dos dois extremos. Alguns anunciantes imaginaram o momento como ideal para aumentar as vendas, se aproveitando da necessidade das pessoas. Outros, no entanto, deram uma cartada decisiva na solidificação das marcas, estratégia defendida pelos profissionais da área, mas que nem sempre são compreendidas pelos clientes.

O publicitário Washington Olivetto, um dos mais conceituados da propaganda mundial, deu uma oportuna entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo na semana passada. Entre outras observações, ele definiu a situação como "o momento em que as empresas devem investir em informação e não em persuasão". E completou de forma categórica: "Não é hora de vender". Experiente, Olivetto diz que a publicidade já enfrentava uma crise mundial e que no Brasil era ainda pior. "Agora, ficou claro que vai ter de se 're-reinventar'", declarou.

Vivendo atualmente em Londres, Olivetto faz uma análise precisa sobre o embate Saúde x Economia, que tanto tem tirado o sono dos especialistas das duas áreas. "O que me assusta é que a saúde não pode ser transformada em um problema político", disse. "Não se pode culpar a saúde pelos problemas econômicos já existentes", resumiu o publicitário. E alertou, para concluir o seu raciocínio: "Poucas vezes houve um momento em que se precisasse tanto de bom senso."

Os bancos Itaú, Bradesco e Santander lançaram uma campanha em conjunto para a doação de R$ 50 milhões para a compra de 15 milhões de máscaras de microempreendedores. A iniciativa tem tudo o que Olivetto vaticina: deixa de vender para reforçar a marca e traz o toque de bom senso que está faltando para muita gente.

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