Grande desafio

Completamos hoje 30 dias do registro da primeira morte por coronavírus no Brasil. Em 17 de março, um homem de 62 anos, então internado no hospital Sancta Maggiore, na zona leste de São Paulo, teve o óbito confirmado para a doença. Seu histórico de saúde apontava diabetes e hipertensão, que certamente complicaram o seu quadro clínico, o que naquele momento indicava o principal fator de infecção da Covid-19. Hoje, o país já ultrapassou a marca das 1,5 mil mortes, tem óbitos confirmados em todos os Estados e registrou casos fatais em mais de 250 cidades. A escalada foi vertiginosa.

Neste curto espaço de tempo, muitas dúvidas a respeito da pandemia ficaram em aberto e diversas ações foram tomadas pelas autoridades - em nível federal, estadual e municipal - de forma desordenada. O país demorou para afinar um procedimento padrão, o que ainda não ocorreu, e acabou se perdendo em discussões políticas sem sentido. A utilização de um medicamento, a hidroxicloroquina, se transformou em frente de batalha na tentativa de prevenir a doença. No entanto, sem resultado comprovado, cientistas não o recomendam em âmbito geral, pois os efeitos colaterias ainda não foram totalmente investigados.

Outro ponto que está muito distante de ter unanimidade é a decisão de decretar o fechamento do comércio não essencial para tirar as pessoas de circulação nas ruas e ampliar o isolamento social, medida recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O tema é delicado, pois desencadeou uma crise econômica jamais vista, gerando alto desemprego e o encerramento de atividades de muitas empresas médias e pequenas.

No mundo inteiro, ficou comprovado que não há controle absoluto sobre o vírus e que ele ainda vai imperar por algum tempo. Há, sim, medidas que podem abreviar a sua existência ou, ao menos, reduzir seus impactos devastos. Injetar dinheiro na economia e na saúde passou a ser obrigatório. Mas é preciso haver unidade nos procedimentos e uma definição clara das prioridades a serem seguidas. O desafio cresce a medida que o número de mortes vai aumentando.

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