Linha de resistência

A quarentena, válida para todo o Estado de São Paulo, foi prorrogada novamente. O governador João Doria (PSDB) anunciou ontem a extensão da medida por mais 15 dias, a partir de amanhã, até o dia 10 de maio. Como argumento, Doria relacionou dados sobre o número de internações e de mortes por coronavirus, além de relatar o índice de ocupação de leitos para pacientes graves, o ponto nevrálgico da questão. A quarentena, segundo especialistas, achata a curva da propagação da doença e, por isso, deve ser mantida.

No entanto, pressionado por empresários dos setores comercial e industrial, o governador abriu uma brecha, ainda em estudo, para a flexibilização do isolamento social no interior do Estado, em cidades onde os leitos hospitalares de UTI disponíveis superam a marca de 50%, o que representa um volume controlado de pacientes com Covid-19. Na avaliação do Estado, há registros de hospitais que já operam com ocupação de 60% ou mais dos leitos e outros que beiram o ponto crítico. "São Paulo acredita na ciência e nos médicos", afirmou Doria. Assim, o isolamento está mantido.

A discussão sobre o tema ganhou terreno nas últimas semanas com a primeira onda de demissões de funcionários em alguns setores, notadamente aqueles classificados como não essenciais e que se viram sem alternativas para enfrentar a crise. "Para reabrir o comércio e os serviços, nós precisamos controlar melhor a contaminação e ter o sistema de saúde em condições de atendimento para salvar vidas", completou o governador. De fato, os casos de mortes e infecções têm aumentado nos últimos dias. Nesse ritmo, não há como impedir o colapso do sistema hospitalar.

De acordo como o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, o infectologista David Uip, a decisão do grupo de 15 especialistas em medicina e ciência foi unânime pela prorrogação da quarentena. O Estado também levou em conta as estatísticas do Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi), que detecta a taxa de isolamento social, cujos números mostraram que as pessoas retornaram às ruas e quebraram a regra do fique em casa. Como admitiu Doria, a pressão é imensa, mas é preciso resistir.

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