Perdas na lavoura

Enfrentando mais uma vez uma temporada crítica, a agricultura tem passado maus bocados nos últimos anos. Se não bastasse as já costumeiras - mas imprevisíveis - dificuldades com a época de chuvas e geadas, que podem destruir plantações, a quarentena oriunda da necessidade de controlar os avanços da Covid-19 provocou uma queda acentuada na comercialização de produtos hortigranjeiros.

Com as pessoas em casa e o fechamento de restaurantes para atendimento presencial, as vendas foram paralisadas, principalmente para o pequeno produtor, que não possui a alternativa de atender por delivery. Segundo estimativa da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o volume de transações caiu em torno de 40%. Na venda direta para bares e restaurantes há contas de prejuízos de quase 80%. Somente os agricultores que possuem algum contrato com as grandes redes de supermercados, autorizadas a funcionar com restrições, é que conseguiram manter a atividade em alta.

Reportagem publicada na edição de ontem mostra a situação dramática da agricultura. O Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, por exemplo, revelou que os produtores perderam em torno de 70% da produção por conta da quarentena e que muitos deles tiveram de passar o trator sobre a produção, transformando-a em fertilizante natural. Outros estão oferecendo a produção para doação para não ver o produto estragando nas lavouras. Além disso, a perspectiva é pouco favorável, pois há culturas de inverno que devem ser plantadas no próximo mês, mas não se pode estimar como o cenário ficará daqui a dois ou três meses.

Para lembrar, em maio de 2018, o setor sofreu outro baque: a greve dos caminhoneiros. Com a paralisação do transporte no país inteiro e o bloqueio das rodovias, ocorreu um efeito cascata a partir do desabastecimento dos postos de combustíveis. Muitos produtores perderam toda uma safra de folhosas, produto mais sensível. De acordo com a avaliação dos sindicatos do setor, a retomada dos negócios na época, incluindo plantio, crescimento, colheita e comercialização, demorou mais de um ano. Vamos torcer para que agora a recuperação seja mais rápida.

Deixe uma resposta

Comentários