Mogi completa hoje cem dias convivendo com o coronavírus

No auge da quarentena, em abril, o centro da cidade ficou praticamente deserto
No auge da quarentena, em abril, o centro da cidade ficou praticamente deserto - FOTO: Mariana Acioli
Mogi das Cruzes completa hoje cem dias desde que divulgou oficialmente o primeiro caso do novo coronavírus, confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde no dia 18 de março. Desde então, a rotina do município foi sensivelmente alterada: comércios foram fechados, o hospital de campanha foi construído, duras medidas de isolamento foram tomadas e, mesmo assim, as mortes em decorrência da Covid-19 dispararam. Atualmente são 150 óbitos em virtude da doença.

O primeiro caso confirmado foi de uma mulher de 43 anos que esteve em um hospital particular da cidade com sintomas de Covid-19. Ela havia dado entrada no hospital em 14 de março e, após a realização de testes, comprovou-se a contaminação. A informação foi divulgada na oportunidade pelo prefeito Marcus Melo (PSDB). Ele próprio, ao lado da esposa, Karin Melo, no início de maio, foram diagnosticados com a doença. Ficaram isolados, se trataram e, curados, voltaram recentemente à rotina de trabalho na Prefeitura.

Ainda em março, notificações de contaminados começavam a aparecer no município. Uma moradora de Mogi das Cruzes com suspeitas de contrair o coronavírus esteve com um grupo de moradores do Alto Tietê em uma excursão pela Espanha e França, fato que chamou a atenção da Vigilância Epidemiológica do município, que trabalhou em parceria com órgãos regionais para identificar outros moradores da região que participaram da mesma viagem. Esta era a principal evidência de que o vírus já estava presente em Mogi.

Hoje, o cenário é bem diferente daquele registrado há cem dias. A intensa preocupação da população com o controle da propagação do vírus foi somada à pressão das categorias comerciais e atrelada com a alta do desemprego e o risco iminente de quebra na economia municipal.

Boa parte do comércio já retomou suas atividades, após a pressão dos setores, o isolamento social foi caindo ao longo das semanas e já começam as discussões sobre a possível desativação do hospital de campanha no próximo mês.

Já são 150 mortes em decorrência da Covid-19, mais de 1,9 mil infectados e outros 1,2 mil que aguardam o resultado de seus exames. Segundo a Prefeitura, há também 1,2 mil pessoas curadas.

Dentre as vítimas da doença, o médico Fernando Miyake, 56 anos, faleceu por complicações causadas pelo coronavírus. Morador de Santo André, o médico, irmão do vereador Claudio Miyake (PSD), ficou dias internado até que seu quadro piorou, teve de ser entubado e não resistiu.

"Cumpriu sua missão, inclusive na frente de batalha contra a Covid-19, salvando vidas todos os dias até o último instante, trabalhando até o momento em que foi internado com sintomas preocupantes", postou o vereador nas redes sociais, na época, em homenagem ao irmão.

Na mesma semana, outra morte de profissional da Saúde foi lamentada. O enfermeiro Cícero Romão, que trabalhava no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e na Santa Casa de Mogi, não resistiu às complicações causadas pela doença e faleceu.

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