Condemat discorda de avaliação e promete questionar o Estado

A direção do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) vai questionar o governo do Estado sobre a avaliação dos critérios que mantiveram a região na fase laranja do Plano São Paulo, conforme anúncio oficial ocorrido ontem, no Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista. Em reunião realizada à tarde, logo após a decisão do governo, os prefeitos ressaltaram que o Alto Tietê tem condições de seguir para a etapa amarela e temem impactos maiores na economia regional com o avanço da flexibilização na capital, além do aumento das taxas de transmissão da doença.

Um ofício com vários questionamentos, em especial com solicitação de maior clareza nos dados e na fórmula de cálculo dos critérios de classificação, está em fase de elaboração pela equipe técnica do Condemat e será protocolado no governo do Estado no início da próxima semana. Na fase amarela, a região poderia retornar com o funcionamento de restaurantes, bares e salões de beleza, além do aumento no horário do comércio de quatro para seis horas.

"Já solicitamos uma agenda com o secretário estadual Marco Vinholi (de Desenvolvimento Regional) para que uma comissão de prefeitos do Condemat possa entregar esse ofício e obter mais esclarecimentos sobre os aspectos considerados na classificação", adiantou o presidente da entidade e prefeito de Guararema, Adriano Leite (PL).

"É positivo o Alto Tietê permanecer na fase laranja quando temos regiões que voltaram para a vermelha. Mas é frustrante não avançar para a amarela, quando todos os nossos indicadores apontam que temos condições para isso, a exemplo da capital. Pior que isso, o fato de bares, restaurantes e salões serem liberados em São Paulo inevitavelmente atrairá moradores das nossas cidades, o que prejudica ainda mais a economia local e aumenta o risco de transmissão da doença", acrescentou.

Na classificação, o critério que pesou para que a região não avançasse foi o de evolução dos óbitos. Enquanto na semana passada a região teve uma variação de 0,85, na semana atual o indicador subiu para 1,38, saindo da classificação amarela para a laranja. No critério capacidade hospitalar, a região permanece amarela.

A divergência dos dados do Estado e dos municípios é um dos pontos que voltam a ser questionados. Na semana de 12 a 18 de junho, a região registrou 156 óbitos, enquanto os dados estaduais eram 129. Nesta última semana, as cidades contabilizaram 121 mortes e o Estado 186.

Outro ponto a ser destacado é a retroalimentação dos sistemas de notificação. Muitas cidades receberam nos últimos dias a confirmação de óbitos ocorridos em maio e abril, que impactam as estatísticas atuais e contrastam com os indicadores de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que melhoraram nas últimas avaliações.

Taxa de óbitos

Um dos principais argumentos, no entanto, é a taxa menor de óbitos que região tem em relação a capital. De acordo com os próprios dados do Estado, que contabilizam 1.233 vítimas fatais, o Alto Tietê tem 40,6 óbitos a cada 100 mil habitantes. São Paulo, que avançou para a fase amarela, tem 55,4 mortes para cada 100 mil habitantes.

"Nossa região tem trabalhado muito para melhorar a capacidade hospitalar e controlar a evolução da doença. É importante que todos os fatores sejam considerados porque ainda que a saúde seja a prioridade, não podemos ignorar os impactos na economia e a necessidade de avançar na retomada das atividades com todos os protocolos de segurança que o momento exige", concluiu Adriano Leite.

 

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