Crise universitária

A notícia divulgada na última segunda-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, de que as universidades públicas federais em São Paulo terão um prejuízo de R$ 1,2 bilhão no orçamento deste ano por conta da pandemia do coronavírus, obriga a uma reflexão sobre a situação das instituições superiores particulares da região.

Se, por um lado, a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) sobrevivem em parte de verbas repassadas do ICMS para o seu sustento, o que foi drasticamente reduzido após o fechamento do comércio durante a quarentena, as universidades particulares, por outro, são mantidas pelas mensalidades.

Assim, com a crise econômica instaurada após as restrições comerciais da Covid-19, que reduziu o faturamento das escolas a níveis insuficientes para a sua manutenção, qualquer planejamento orçamentário para 2020 foi para o ralo. Além da crescente inadimplência dos alunos que tiveram salários reduzidos ou foram demitidos, os vestibulares de inverno ficaram completamente comprometidos neste ano, o que vai minguar a entrada de novos calouros.

Os efeitos do processo caótico da saúde financeira das instituições de Ensino Superior são preocupantes. Sem faturamento, será aberta a inevitável temporada de demissões de funcionários e de professores, o que deve agravar ainda mais a situação já crítica das escolas. Outra triste possibilidade é o fechamento de cursos deficitários, levando a um grupo de alunos a impossibilidade de concluir os estudos e a interrupção dos mesmos.

Para as universidades, a melhor alternativa neste momento é investir e apostar nos cursos a distância, cujas características se enquadram nas questões de isolamento social, baixo custo e rapidez de conclusão, como bem requer a chamada nova realidade.

Como os reflexos da atual crise podem durar alguns anos, uma formação imediata significa para esta geração de estudantes a perspectiva de uma profissão e a entrada facilitada no mercado de trabalho. As instituições precisarão, por sua vez,  de uma nova formatação para garantir a subsistência.

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