Enem é transferido para janeiro do próximo ano

Nível da prova será modificado para compensar perdas
Nível da prova será modificado para compensar perdas - FOTO: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) anunciaram ontem que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será aplicado nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021. Mais de 5,8 milhões de estudantes estão inscritos para o exame, que terá custo adicional de R$ 70 milhões por causa de medidas sanitárias decorrentes da pandemia do coronavírus.

Em coletiva realizada ontem, o ministro interino da Educação, Antônio Vogel, disse que a nova data da prova não é uma decisão "perfeita e maravilhosa para todos" os candidatos. "Buscamos uma solução técnica", completou. A versão digital da prova, que ocorre pela primeira vez no país, será nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. E os resultados serão divulgados em 29 de março.

A prova, inicialmente prevista para novembro deste ano, foi adiada por causa da pandemia do coronavírus. Escolas de todo o país tiveram atividades presenciais suspensas para evitar a propagação do vírus.

O MEC também informou ontem a possibilidade de que seja realizado mais um Sisu, sistema que reúne vagas no ensino superior público, em 2021. Se isso ocorrer, serão três seleções no ano que vem. "Há toda uma reação em cadeia quando se define a data do Enem. Essa nota do Enem serve de critério primeiro para entrar em uma universidade pública, pelo Sisu. Se não entrar, tem a possibilidade de conseguir bolsa pelo ProUni. E, se não conseguir, pode ter o Fies", disse Vogel.

A aplicação da prova no mês de janeiro foi defendida por secretários de Educação e universidades em reuniões com o governo. Em enquete realizada a pedido do ex-ministro Abraham Weintraub, a maior parte dos estudantes (49,7%) votou para que o Enem fosse realizado apenas em maio. Outros 35,3% optaram por janeiro. Mas, depois que Weintraub foi demitido, a direção do Inep não se comprometeu em seguir o resultado da pesquisa e anunciou que ouviria representantes dos Estados e do ensino superior para tomar uma decisão.

Segundo fontes que estavam presentes às reuniões feitas com o Inep, maio foi considerado um mês inviável pela maioria, pelo que causaria ao calendário do ensino superior. Universidades particulares também não queriam um Enem tão tarde porque os estudantes esperam o resultado da prova e do Sisu para ver se conseguiram vaga em instituições públicas e só depois partem para uma particular. O exame em maio prejudicaria mais ainda um mercado já fragilizado, com perda de estudantes e alta inadimplência.

Segundo Alexandre Lopes, presidente do Inep, a enquete com os estudantes não foi o único parâmetro para definição da data. "Entendemos que seria importante ouvir secretários estaduais de Educação e instituições de ensino superior públicas e privadas. Todas as informações foram levadas em consideração. Mais da metade optou por (fazer a prova em) dezembro e janeiro. Também estamos atendendo a esse público."

Segundo o governo, o nível da prova será modificado em função das dificuldades de ensino durante a pandemia, já que os itens que compõem o teste foram elaborados antes da Covid-19.

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