Metrô para em protesto contra cortes salariais

Linha 1-Azul é uma das cinco ligações em São Paulo que serão paralisadas hoje
Linha 1-Azul é uma das cinco ligações em São Paulo que serão paralisadas hoje - FOTO: Divulgação
O Sindicato dos Metroviários de São Paulo decidiu ontem à noite fazer hoje uma paralisação nas cinco linhas da capital, em protesto contra cortes salariais. A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) obteve uma decisão judicial que exige porcentual mínimo de operação dos trens, sobretudo nos horários de pico.

A paralisação estava prevista para começar à zero hora e deve durar 24 horas, mas pode ser prorrogada, se não houver concordância entre as partes. Devem ser afetadas as Linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata. A assembleia sindical on-line que decidiu pela medida teve 2.436 votantes, dos quais 73% optaram pela greve. Segundo a categoria, as diversas tentativas de conciliação foram infrutíferas, uma vez que a reivindicação por renovar o acordo coletivo e a empresa recuar nos cortes de salários e benefícios não foi atendida.

Os trabalhadores vêm planejando uma paralisação desde 1º de julho , que chegou a ser postergada a pedido do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em busca de um acordo. A definição de ontem ocorreu após a companhia anunciar corte de 10% no salário nominal dos funcionários.

Ontem pela manhã, houve audiência on-line no TRT. Na ocasião, a companhia manteve os termos de uma proposta anterior, sem recuar, e incluiu a sugestão de parcelar em quatro vezes o desconto salarial decorrente do adiantamento de férias, sendo a primeira no mês de retorno ao trabalho. "Não dá para caracterizar como proposta", disse Wagner Fajardo, um dos coordenadores do sindicato, em assembleia da categoria realizada no fim do dia.

De acordo com o sindicato, as propostas do Metrô incluem reduzir a participação da empresa do plano de saúde dos trabalhadores, cortar os adicionais noturnos de 50% para 20% e as horas extras de 100% para 50%. O Estado procurou o Metrô, que não se pronunciou até as 21 horas. Na audiência, o MPT propôs a manutenção do adicional noturno de 50%, mas com pagamento de 25% pelo período de seis meses e a diferença sendo paga integralmente nos seis meses subsequentes. Também propôs a manutenção do adicional de horas extras de 100%, com pagamento de 50% por seis meses e a diferença também paga integralmente nos seis meses seguintes. A exceção são as horas extras compulsórias, que deverão ser pagas integralmente.

Funcionamento

Com a iminência de greve, ainda à tarde o tribunal determinou que o Metrô deve manter o funcionamento de 95% dos serviços no horário de pico (das 6 às 9 horas e das 16h30 às 19h30) e 65% nos demais horários. Caso a liminar não seja respeitada por parte dos trabalhadores ou da empresa, a Justiça estabeleceu multa diária de R$ 150 mil e R$ 500 mil, respectivamente.

"Além de ter tirado parte dos adicionais de junho, tirou 10% dos salários de julho de forma arbitrária", disse Altino Prazeres, coordenador do Sindicato dos Metroviários. Segundo ele, o Metrô está voltando aos poucos a funcionar com mais passageiros, aumentando a arrecadação, o que não justificaria os cortes financeiros. A companhia, por sua vez, informou na sexta-feira que a "baixa arrecadação por um longo período" motivou a redução.

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